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Carlos Carvalho - Fragmentos

"Uma política cultural eminentemente popular não trata de levar, apenas, a cultura ao povo, o que, em última análise será sempre um comportamento paternalista e uma forma de tornar as camadas populares cada vez mais dependentes culturalmente. Mas, ao contrário, dar ao povo as condições necessárias para que desenvolva suas potencialidades. Favorecer o povo a desenvolver sua própria cultura e, através desse caminho, reflexionar sobre a sua realidade."
Extraído de entrevista ao jornal Campeador, Alegrete, RS, 14/10/83.

"O escritor brasileiro não pode mais se dar ao luxo de chorar a miséria de um indivíduo em cinqüenta páginas; é preciso ir às causas, às raizes dessa miséria. O escritor brasileiro não pode mais se dedicar a ser um mero aparelho sensitivo, mas deve pressentir e apreender toda a nossa realidade, como também descobrir suas origens. Por isso, o escritor brasileiro, e o artista em geral, deve lançar mão de outros campos do conhecimento, como a sociologia, a economia e a política, para exercer o seu verdadeiro papel, que é o de testemunha e denunciante de sua época."
Extraído de depoimento prestado no Cicio de Debates sobre a Realidade Brasileira, Santa Maria, RS, maio de 1976.

"O intelectual é um trabalhador como qualquer outro e, como cidadão, tem que participar da vida política do País. Desconfio muito daqueles intelectuais que se dizem independentes porque, por vezes, esta situação me parece muito cômoda: evita-lhes uma série de inconvenientes e de compromissos, livrando-os de qualquer atingimento pessoal ou familiar. Acho que, se pretendo ter como intelectual, algum compromisso com o povo, tenho que sair do meu gabinete e ir-me encontrar com ele. Isso se faz, dentre outras formas, através dos partidos políticos. Daí, inclusive, minha opção crescente de não me restringir, enquanto autor teatral, e apenas escrever isoladamente meus textos, mas criá-los lado a lado com um elenco, discutindo cada cena, reescrevendo-a, valendo-me da experiência do próprio ator e de uma equipe de produção. A democracia tem que começar por nós mesmos e por nossa atividade intelectual, evitando-se as formas rígidas, o que não significa que fique a escrever sempre limitado a este tipo de processo criativo."
Extraído de uma entrevista ao Correio do Povo.

 




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