PMPA/SMC / Prêmio Dramaturgia / Autores Premiados / 2000 / 3º Colocado

Mário Viana

com Vestir o pai

O teatro é uma arte que exige paciência - às vezes, de quem assiste; sempre, de quem o faz. Penso nisso quando constato que comecei a escrever para teatro em 1986, nas oficinas de dramaturgia ministradas por Luís Alberto de Abreu, em São Paulo. Dos primeiros diálogos à primeira encenação, foram alguns anos. Da estréia, com Ifigônia, em 1993, à segunda montagem, outro tanto de tempo. Desde 1999, a coisa começou a engrenar: convidado pelo grupo Parlapatões, patifes & paspalhões, entrei no projeto Pantagruel.

      Juntos, o grupo e eu, montamos Mistérios gulosos (1999) e Um chopes, dois pastel e uma porção de bobagem (2000), peças curtas que levaram a Pantagruel, que estreou em 15 de novembro de 2001. Entre uma e outra montagem, alguns desvios gratificantes, como Verdades canalhas, escrito a convite de um grupo de recém-formandos da ECA-USP. A montagem, dirigida por Hugo Possolo, já venceu quatro festivais e entrou no páreo final em vários outros.

     Paralelo aos palcos, corre a vida do dramaturgo. Tive a felicidade de ser premiado duas vezes no concurso Carlos Carvalho, em Porto Alegre. Em 1999, Vamos? ganhou o segundo lugar; em 2000, Vestir o Pai tirou o terceiro prêmio. Também em 2000, o concurso de dramaturgia do Ministério da Cultura concedeu-me menção honrosa pelo resgate do gênero musical, com a comédia Flechadas do teu olhar, sobre o compositor Adoniran Barbosa.

     Vestir o Pai foi uma experiência com o humor negro. Um pai agoniza e, no quarto ao lado, os filhos e a futura viúva tentam decidir qual roupa servirá para vestir o morto no caixão. Assim como Vamos? nasceu de uma frase ouvida na mesa de um bar, Vestir o Pai começou a germinar durante o velório do pai de uma amiga. A certa altura, a viúva - lembrando as escapadas que o marido dava - falou: "Eu cuidei dele até o fim. Vê se alguma das amantes veio ajudar a limpar o coitado." Começou assim. Claro que, durante a gestação, os personagens ganharam contornos próprios e escaparam totalmente do modelo original. Quando ouço leituras públicas do texto, me chocam a mesquinhez e a visão estreita de mundo daquelas criaturinhas saídas de mim. Ao contrário de uma mãe ou um pai decepcionados, fico contente em perceber que, de certa maneira, cheguei perto do que queria: retratar o lado "gentinha" que se esconde em nós.

Mário Viana




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