PMPA/SMC / Prêmio Dramaturgia / Autores Premiados / 1998 / 3º Colocado

Eduardo Prado

com Pequenas Criaturas

Meu interesse pelo teatro começou em 1965, quando escrevi, com Domingos Oliveira, Carnaval para principiantes. A peça foi encenada pelo Grupo Opinião com a direção de Paulo José e produção de Dina Sfat. Depois de um mês em cartaz, já habituado a ver mais gente no palco do que na platéia, percebi logo que me faltava o principal traço de caráter de quem faz teatro: tolerância eterna com a frustração. Mesmo assim, alguns anos depois, participei de Tem banana na banda com uma cena escrita pra Leila Diniz., que liderava o elenco. A peça fez o maior sucesso. Mas o sucesso, mais badalativo que econômico, não me proporcionou sequer acesso a um cheque especial. E olha que a gerente era minha amiga!
Decidi então experimentar o cinema e escrevi alguns roteiros, entre eles Edu coração de ouro, filme de Domingos Oliveira, que em 1966 representou o Brasil no Festival de Mar del Plata. Pelo roteiro ganhei tão pouco que acabei perdendo a graça.
No início da década seguinte, já convencido que a neurose era um negócio de muito mais futuro que o teatro, comecei minha formação psicanalítica. E durante vinte e poucos anos ocupei então um lugar na platéia, pelo prazer de pertencer à minoria absoluta.
Como jornalista, trabalhei no Diário de Notícias, Correio da Manhã, Manchete e Revista Leitura. Colaborei também com o Jornal do Comércio e o Jornal dos Sports. Dirigi a revista Fairplay e escrevi A pulga ninfomaníaca a três mãos, sendo duas de Joaquim Assis que é ambidestro.
Publiquei alguns contos nos livros Destino, Sedução e Intimidade, coletâneas de textos de diversos autores.
Do que me lembro, é isso aí. Nos últimos anos, convidado por Domingos Oliveira, que a essa altura dirigia o Teatro do Planetário, escrevi Sanatório Brasil, peça ainda inédita, e Pequenas criaturas, que faz parte desse livro. Só que agora, com 58 anos, posso esperar pelo sucesso sem pressa. Para falar a verdade, torço por mais 58 anos de espera, pelo menos.
Pequenas criaturas é um comédia sobre o conturbado relacionamento amoroso de um casal. Dito assim, até parece que alguma relação amorosa possa se diferente, mas enfim... O que me agrada na peça é a fugacidade de seus personagens. Alice, a protagonista da história, é uma jovem impulsiva às voltas com sua vida de atriz desempregada. No final de uma noite de amor mais fogosa, sente-se violentada pelo namorado e resolve, num de seus espetaculares acessos de raiva, denunciá-lo por estupro.
A denúncia estapafúrdia os leva então ao encontro de diversos tipos humanos que vão entrando na história para ajudá-los, dela saindo depois de confundi-los ainda mais. Um a um, eles vão se tornando os personagens principais de cada cena., desaparecendo logo em seguida sem deixar vestígios. Seus poucos minutos de presença no palco, no entanto, bastam para identificá-los como pequenas criaturas obstinadas e confinadas às suas certezas.

(Biografia publicada no livro 2º Concurso de Dramaturgia - Prêmio Carlos Carvalho, em 2000.)




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