Muito se tem recomendado, para economia de energia e conseqüentemente menor impacto ao Meio Ambiente, a substituição das tradicionais lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, ou lâmpadas de mercúrio, de maior durabilidade e menor consumo. O problema, porém, seria onde descartar essas lâmpadas após sua vida útil e quem assume a responsabilidade.
Arrastando-se por quase dez anos, o impasse sobre o descarte correto de lâmpadas de mercúrio está perto de ter uma solução. O Conselho Nacional do Meio Ambiente – Comana, que realiza reuniões para debater o assunto desde 2001, pretende concluir os trabalhos no inicio do segundo semestre de 2010. O texto final deverá ainda passar por avaliação de uma Câmara técnica e por uma assessoria jurídica para então ser votado.
A discussão gira em torno de qual seria a responsabilidade da empresa produtora da lâmpada de mercúrio. Na Europa, por exemplo, quem disponibiliza o produto tem responsabilidade pelo seu destino final.
As lâmpadas de mercúrio são um resíduo perigoso e que precisam de uma destinação adequada após o uso. Por ser tratar de uma substância cancerígena, não existem níveis toleráveis de contato com os seres humanos.
Questão financeira
Segundo o gerente de Meio Ambiente de uma empresa produtora de lâmpadas de mercúrio, Márcio Quintino, o setor se dispõe a buscar um acordo sobre o descarte correto, desde que seja algo sustentável, de longo prazo, e que equilibre a questão ambiental e a financeira.
“As empresas querem ter posição ativa nisso, mas, além do meio ambiente, é importantíssimo que a questão financeira seja equacionada", disse.
Quintino lembrou que, no modelo europeu, o custo do descarte já está embutido no preço da lâmpada e que uma terceira pessoa é responsável pela coordenação dos pontos de coleta, o transporte e o descarte final.
Uma alternativa seria o uso do Led - um diodo emissor de luz que não utiliza o mercúrio para iluminar ambientes, o que também diminuiria o consumo de energia e o impacto ambiental do descarte seria praticamente zero.
Riscos
O mercúrio é considerado o elemento potencialmente mais perigoso entre os constituintes das lâmpadas. Ao final de sua vida útil as lâmpadas contendo mercúrio são, na maioria das vezes, destinadas aos aterros sanitários contaminando o solo e, mais tarde, os cursos d’água.
A presença de mercúrio nas águas, mesmo que em pequenas quantidades, representa um grande problema ecológico devido à sua bioconcentração, ou seja, a concentração de mercúrio aumenta nos organismos animais com a passagem através da cadeia alimentar. Assim, os organismos situados no final da cadeia alimentar apresentam uma concentração mais elevada e, por vezes, perigosa.