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Selecionados na 17ª edição do Concurso Poemas no Ônibus e no Trem

A Secretaria da Cultura de Porto Alegre divulga a lista dos selecionados no concurso Poemas no Ônibus e no Trem. São 49 autores que, além de terem seus poemas expostos no transporte coletivo, farão parte de coletânea a ser publicada em 2009.

A lista também está disponível no estande da SMC na 54ª do Livro de Porto Alegre. Outras informações podem ser obtidas através dos fones 3289.8074 ou 3289.8075 ou 3289.8076.

(Veja logo abaixo a lista dos poemas.)

Alberto Cohen
Alcir Nicolau Pereira
Aldemar Norek de Oliveira Lima
Aldo Guido Votto
Alexandre Voelcker
Camila Albani Petró
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Caroline Maia Szarko
Cláudia Alves
Daniel Fernando Ribeiro
Danielle Ferreira Sibonis
Denair Ines Guzon
Diego Araújo da Rosa
Edmar Monteiro Filho
Eliane Alberche
Felipe Lopes Campos
Gabriela Cantergi
Gilca Maria Siqueira de Mendonça
Haydeé Schlichting Hostin Lima
Jáime Jandir da Posciúncula Peixoto
José Carlos Santos Peres
Jose Eduardo Boeira
Liane Sinara Marques de Moura
Lucia Espinosa Gorini
Luiz Alberto Vedana
Luiz de Miranda
Maria Chirlene Oliveira
Maria de Lourdes Alves do Couto Corroche
Marilene Bueno da Silveira
Marisa Cardoso Piedras
Milton Feliciano de Oliveira
Murilo Cabral Nunes
Naura Vieira dos Santos
Neida Rocha Wobeto
Nina Rosa E. Carpes
Paulo Gontran Ramos
Paulo Rodrigo Nunes Ohar
Pedro Dalosto Alves Branco
Rafael Vecchio
Ricardo Fontana Alves
Ricardo Lemos Tastch
Ricardo Porto
Rosane Coelho de Oliveira
Ruana Maíra Schneider
Sérgio de Mesquita Serra
Sérgio Luís da Silva Vargas
Tiago Dias da Silva
Ubirajara Alves de Oliveira
Vanessa Conz

- Lista dos Poemas - para imprimir, clique aqui

Trilhas

Urgência de ser eu mesmo,
cansaço de não me achar,
as rugas fizeram mapas
de não saber procurar.
corpos de tantas miragens,
versos de pouco dizer,
será que jamais me acabo
para, de novo, nascer?

Alberto Cohen
albertolcohen@yahoo.com.br

PASSAGEIRO AMOR

O ônibus frenou na parada
E ela entrou na condução
Quedou-se ao lado sentada
E conquistou meu coração

Passageira linda e formosa
Moça prendada de tez bonita
Experimentei galante prosa
Deixando-a séria , muito aflita

Assustada e muito nervosa
Avisou: por favor, não insista
Falando baixinho e medrosa:
Meu marido é o motorista


Alcir Nicolau Pereira
alcirnicolau@yahoo.com.br

Paisagem de Cidades Imaginárias


Amhearst,
Stratford-upon-Avon, Nishapur,
Lisboa, Itabira, Buenos Aires, São Paulo,
Málaga, Nova York, Salvador, Pasárgada,
Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
e você aí nessa cidade-fantasma
com o braço erguido
em frente ao muro, no espaço
do instante em que o grafite
incompreensível que sua mão
projeta é toda a sua
vida.

Aldemar Norek de Oliveira Lima
aldemarnorek@yahoo.com.br

Hai kai no trem


Poente sem cor
No ritmo dos trilhos
Viajo de mim

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Aldo Guido Votto
aldo.votto@brturbo.com.br


Sentido de quê

Quem não ouve
Não vê
Quem não vê
Não sabe
Quem não sabe
Não ouve

E o que houve?

Não sei
Não vi
Não ouvi
Alexandre Voelcker
alexandrevoelcker@yahoo.com.br


Da Conquista

A conquista se faz pelo simples,           
Dito às vezes complicado...                
Fazer o que se espera,                     
No momento inesperado...                   

Camila Albani Petró
petrocamila@yahoo.com.br

A VIDA EM CENAS


No circo, o homem pinta a cara
e faz piruetas para o povo sorrir;
no palco, o homem, num ato cênico,
teatraliza o real para o povo se divertir;
no palanque, o homem, num ato cínico,
realiza, teatral, o seu projeto pessoal,
com a cara lisa e o bolso cheio
do real alheio;
e ao povo enganado, nem pão nem circo.


Carlos Alberto de Assis Cavalcanti


Rotina
Cresce feito planta
Carnívora.
Você a alimenta
E, mais cedo ou mais tarde,
Ela acaba por te engolir.

Caroline Maia Szarko
carolineszarko@gmail.com

Rotina                                     

Segunda de novo
outra vez segunda.
E agora, pra onde eu fujo,
dessa vida de ovo?

Cláudia Alve
claudia.alvess@gmail.com

Jardineiro                                        

Cultivo você em mim
como a uma orquídea, à sombra.
Cultivo você em mim
desta forma delicada, às vezes,  travessa.
Cultivo você em mim 
com certo desamparo e silêncio.
Cultivo você e a mim  
com o zelo de um jardineiro ao seu jardim.
Daniel Fernando Ribeiro
daielfribeiro@terra.com.br

Ícaro

visto asas sobre as cinzas
e alço vôo

em atropelos de aeroplanos
bordo andorinhas no silêncio
Danielle Ferreira Sibonis
danisibonis@hotmail.com
  
PASSATEMPO
Sentado ao meu lado,
No coletivo lotado,
Um estranho,
Nariz na leitura colado.
Otimização do tempo!
Invejo.
O estômago frágil
Não me permite
Este advento.
No trajeto, divago.
Pensamentos vagabos.
Fim da linha e
Nenhum aproveitamento.

Denair Ines Guzon
denairguzon@gmail.com

Sinal Vermelho

Pare.

Olhe.

Escute.

A vida está passando...

Diego Araújo da Rosa
dadrp@zipmail.com.br

VOCABULÁRIO

Beijo partilhado
é idioma
partido em dois:
um que sorve
outro servido,
um ao pé da letra
outro no céu da boca
ambos
pelo sentido
 
Edmar Monteiro Filho
edmont@uol.com.br

Modernidades


Web
msn
orkut
scrap
blogs
emails...
mesmo assim,
solidão em mim
     
Eliane Alberche
elianealberche@gmail.com

                                                         
A cor da cota

Não é negra.
Não é índia.
Não é pobre.

A cor da cota é caos.

Quilombo
Oca
Favela

A cor da cota... aquarela
Pintada nas cores do carnaval.

 

Felipe Lopes Campos
campos.79@gmail.com


Do coração

Sentou-se, no ônibus, ao lado de um desconhecido
E foram felizes para sempre.


Gabriela Cantergi
gabyc@terra.com.br

TODOS CANTAM SUA TERRA


Andei por muitos lugares
Conheci outras cidades
Minas com suas montanhas
Ouro Preto e suas lendas
Voltei com muita saudade
Pois...sou gaúcha, sou prenda!
Faço trovas, faço versos
Canto e danço também
Com meu vestido de chita
Dizem que me saio bem.
Todos cantam sua terra
Resolvi cantar a minha.
Oh! Querida Porto Alegre
Aqui me sinto rainha.


Gilca Maria Siqueira de Mendonça


Previsão

   
A meteorologia
(palavra sem poesia)
avisa: chuva nem pensar,
continuará  seco:
o pampa, a serra,
o planalto, o litoral...
a boca, a alma e o corpo,
seguem a previsão:
secos, (coisas do coração).


Haydeé Schlichting Hostin Lima
haydeehostin@terra.com.br

Tangente


Constrangeu-me pensares
que te olhava embevecido.
embora bela,
não te via!
Apenas lia,
distraído,
o poema na janela.

Jaime Jandir da Porciúncula Peixoto
peixoto@senar-rs.com.br


AMÉM


A hóstia liquida o pecado
no céu da boca da beata:
espólio de dor
e arrependimento.

De joelhos a mulher reza
a ladainha do seu vazio
no terço infinito
de suas contas

Sem saber que o Credor
de há muito a deu por perdoada
acostumado a prejuízos e promessas
de toda a humanidade.

José Carlos Santos Peres
 jcsperes@ig.com.br
Amo(r)torneiro

No bonde gaiola da vida, João, condutor,
Sua solidão conduzia.
Na parada viu Maria, passageira,
Solitária à espera de um amor.
O coração disparou,
O bonde, ele parou,
Mas o coração descarrilhou.


Jose Eduardo Boeira
jeboeria@via-rs.net

quisera
fracionar da vida
só prazeres

da bruta-labuta
abocanhar o pão-poema

cair no vão do absurdo
chavear o medo
vizinho de porta

 

Liana Sinara Marques
liana@madricam.com.br


Estrela Bailarina

Uma estrela lá no céu
Dança um tango com a lua
Cada passo da estrela
Ilumina toda rua.
  

Lucia Espinosa Gorini
luciagorini@yahoo.com.br

Contornos                                      

Aperto teu peito contra o meu
Torno real o meu desejo
Contorno tuas formas com os dedos
Me apresso em encontrar teus lábios
Enlaço o teu abraço
Aqueço o teu entorno
Pressiono aquilo que pede liberdade
Na forma de gestos velados
Te olho com olhos calados
e passeio pelo teu contorno
Retomo a razão
e retorno ao início
E escuto um sussurro que diz:
De novo.

Luiz Alberto Vedana
luizvedana@gmail.com

A Ordem das Ausências


A ordem das ausências
está plantada na noite.
Nada se ouve , ninguém há.
A alma sumiu no vento,
o corpo limitou-se ao medo.
Onde colocar a pergunta
que caminha desde sempre,
com seu mistério e segredo?

Luiz de Miranda


LEMINSKI/ando...
                                    
Meu poema
é assim
engulo as vírgulas
como os pontos
reticências
a vida
se
encarrega
de nos
dar
as aspas


Maria Chirlene Oliveira
palasathena_40@hotmail.com

Mentira                                    

Menti que era grande,
Fiquei tão pequeno.
Menti que te amava,
Provei meu veneno.
Minha fantasia
Fez-me verdadeiro
Da minha mentira
Fiquei prisioneiro.
Perdi teu amor
Por pura vaidade,
Enfim aprendi
A dizer a verdade.
                 
Maria de Lourdes Alves do Couto Corroche
pablocorroche@hotmail.com

Carnaval  

          
Ruas de luz encarnada
- hoje é carnaval-

Posto minha carne na tua
acende a fogueira
me faz enxoval

Porto um cais sempre aberto
navegando o concreto
cortejo de naus

Parto – num ato
desato o mistério
do caos.

Marilene Bueno da Silveira
marilene.bueno@bol.com.br


Quem são?
              
Quem são estas crianças?
Com seus olhos baços e mortiços
Que mendigam pelos guetos, pelos becos...
Pelas ruas sem saídas de suas vidas.
              
Quem são, essas crianças?
Que nos olham com seus olhos velhos,
Com seus rostos opacos e  sonhos mortos,
De esperanças de uma vida risonha e feliz.
              
Quem são, essas crianças?
Que nos atacam nas esquinas e se escondem da infância,
E nós fingimos não ver para não sofrer.

Quem são essas crianças?
Que vão passando pela vida   sem levar nada.
E nós, deixando de olhar para não sentir.


             
Marisa Cardoso Piedras
marisapiedras@msn.com


PALAVRÃO
"Mãe, eu quero falar um palavrão!"
"Não fale não, Joãozinho, que Deus não gosta."
"Se Deus não gosta, porque inventaram o palavrão?"
"Foi o Diabo, meu filho !"
"Mãe, eu quero falar um palavrão!"
"Já te disse que Deus não gosta"
"Quem é o Diabo?"
"Diabo foi um anjo"
"Agora não é mais ?"
"Não meu filho, não é"...  "Porque ?"
"Porque ele brigou com Deus"
"Deus brigou com ele ?" ..."Brigou !"
"Então... Deus não é bonzinho ?
A mãe não resistiu e falou um palavrão.

Milton Feliciano de Oliveira
milfeli@uol.com.br

tem                   vezes
que         a            antropologia
serve      como           desculpa,
justifica
minha               aparente
falta      de        sensibilidade
ao       me         perder             em
conversas             alheias...


Murilo Cabral Nunes 
murilodrum@hotmail.com


INTROSPECÇÃO

Carrossel de sonhos, não sonhados.
Caminhada tênue, sem destino.
Recordação das cores do passado
no pardacento painel dos desatinos!
  

Vida que vivi, não sei onde.
Vida, que eu tive, não sei como,
quimera que procuro e que se esconde,
-  anseios arredios, que eu mesma domo!

Naura Vieira dos Santos

SONS DA NOITE
Os sons da noite
me acalentam.
A brisa suave
envolve
meu corpo.
Ouço a madrugada.
Fecho os olhos
para pensar.
O dia inicia
com os mesmos
questionamentos.

Neida Rocha Wobeto
neidarocha@terra.com.br

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Vendo um jardim com cheiro de jasmim
E com as cores do amor
Motivo:
As flores estão morrendo
Não tenho mais forças para regá-las
Meu amor partiu e me deixou assim
Triste, sem vida
Mas quero salvar as flores
Elas ainda podm perfumar outros amores!

Nina Rosa E. Carpes
ninacarpes@gmail.com

Dentro do trem tem.

Dentro do trem estranho, estranhos têm. Alguns vêem, outros vêm. Alguns não, outros lêem. Dentro do trem tem quem tem e quem não tem, também tem. Pára na estação. Fica parado. Arranca, pára. Estranhos no trem têm.

Tem trem e não tem também. Se  vai, também vem. Se fica, arranca, pára, abre portas também. Têm trens, apressados têm. Uns vêem, outros crêem. Têm trens, rápidos trens.  No horário, o trem vem. Abre portas, mostra o que contém. Tem trem. Forte trem. Estranhos têm. Fica trem. Vai trem. Pára trem. Abre portas trem.

Vou eu também.


Paulo Gontran Ramos
pgontran@gmail.com

POR SUA CONTA E RISCO


Ouvinte e conversador
Maniático
De vez em quando
Assador
À noite asmático


Paulo Rodrigo Nunes Ohar
ohar@pop.com.br

Rotina Incansável


Na solidão do assento
Mente
Que voa longe
Sente.

Uma companheira:
Música
Tudo mais? Silêncio.
Sonho.

E a solidão incentiva
A mente cria
O menino sonha
O coração acompanha


Pedro Dalosto Alves Branco 
pedro.dalosto@terra.com.br


haikai

denunciei por maus tratos
o saldo
dos meus extratos
 
Rafael Vecchio
ravecchio@ea.ufrgs.br


Sem desembaraço
A moça observa a lua
E diminui o passo

Ricardo Fontana Alves
ricardo.alves@acad.pucrs.br

IMPRUDÊNCIA

No escuro da noite,
os faróis apagados.
A placa diz: devagar!
Mas sigo, indiferente.

Em rota proibida
passo o sinal vermelho.
Velocidade máxima,
me perdendo nas curvas do teu corpo...

Ricardo Lemos Tastch
ricardolafey@gmail.com


POETA ÀS PRESSAS

Achei que era fácil
versar o que sentia
tentei virar poeta
da noite para o dia.
Rimei minha quimera
e meu sonho-utopia
com a tal da primavera
e aquela luz do dia.
Preocupado com a rima
esqueci da poesia.


Ricardo Porto
portoporto@pop.com.br

PAIXÃO

alisa a pele,
rasga a carne,
expõe o nervo...


Rosane Coelho de Oliveira
annavelasco@uol.com.br

Odor eloqüente

Ah! Enfim!
Hora de ir pra casa
Abraçar os filhos
Beijar a mulher
Comer a janta
Deitar na cama

Abraçar a cama
Beijar os filhos
Comer a mulher
Deitar na Janta

Desisto, ô moça do meu lado,
Eu me rendo!
Desça com esse pãozinho fresco.
Está me enlouquecendo

Ruana Maíra Schneider
ruanamaira@hotmail.com

   Pergunta o leitor-passageiro
   Por que não escrevo um conto.
   É que se ele não ler ligeiro,
   Acaba perdendo o ponto.

Sérgio de Mesquita Serra
sergio@sergipenet.com.br

Tristes lembranças

No baú de Carolina
Tem um monte de tralhas

Cavalos mancos de batalhas
Reis que perderam a majestade

Um super-herói covarde

Moeda sem valor
Livros sem estórias

Tem até um arco-íris sem cor!

Tem um circo sem palhaço
Brincadeiras sem crianças

No baú de Carolina
As tristezas da infância.

Sérgio Luís da Silva Vargas
slsvargas@bol.com.br

DIFICULDADE
Meu poema é tão complexo
que precisaria girar o avesso,
converter o convexo
e dividir por dois terços
pra se entender meio verso

Tiago Dias da Silva
semelhante@gmail.com
FINGIR...
 
FINGIR
SER SIMPÁTICO
DEFORMA O ROSTO.
         
Ubirajara Alves de Oliveira
adriananascer@hotmail.com

Do ônibus                                                    

Os ônibus rasgam as avenidas
Dentro deles, ninguém sabe
E nem pode imaginar
Quantas mentes doloridas
Esquecem de suas vidas
E apoiadas nas janelas
Olham outras a passar

Vanessa Conz
vaneconz@yahoo.com.br



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