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Museu de Arte do RGS Ado Malagoli - Margs


Prédio da Antiga Delegacia Fiscal da Fazenda Nacional
End.: Rua Siqueira Campos, 596
Complemento: Praça Barão do Rio Branco, sem número; esquinas Rua Capitão Montanha e Avenida Sepúlveda
Tombado: IPHAE - Instituto do Patrimônio Histórico e IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (incluso na área "Praça da Matriz e da Alfândega: sítio histórico")

 

 

 

 

 

 

Os aterramentos iniciados em 1911 haviam progredido aceleradamente, de modo que, em 1912 pôde ser aberta a concorrência pública para a construção do prédio da Delegacia fiscal. Como era usual na época, este tipo de concorrência implicava na apresentação do projeto do prédio. O único concorrente foi o escritório Rudolf Ahrons com um orçamento de oitocentos contos. O Ministro Francisco Sales julgou que este orçamento era descabido, anulou a concorrência e solicitou a um amigo a realização de um projeto, inferior ao anterior. Na concorrência de preços deste prédio, novamente saiu vencedor o Escritório Ahrons.

Em 1913, antes de iniciar as obras, Francisco Sales foi substituído pelo riograndense Rivadávia da Cunha Correa, que anulou a última concorrência e contratou Ahons para construir o projeto original, por mil duzentos e cinqüenta contos, e o prédio dos Correios e Telégrafos, ambos projetados pelo alemão Theo Wiederspahn, responsável pelo Departamento de Arquitetura daquela empresa.


A possibilidade de projetar, concomitantemente, dois prédios de alto significado social e urbano, lado a lado, foi muito bem aproveitada por Wiederspahn. Utilizando um conceito de simetria sutil, na medida em que concebeu dois prédios assimétricos, cada um com uma torre junto à Avenida que os separava, marcando plasticamente a via e acentuando o conceito primordial da munumentalidade inerente ao conjunto.

A entrada principal, a do público, é excêntrica. Possui alguns degraus que conduzem a um patamar onde, posteriormente, foi instalada uma portaria, do qual se tem acesso ao vestíbulo propriamente dito, no primeiro piso, que conduz a um grande espaço de uso público, de pé-direto duplo e iluminado por zenital. Este "hall" é separado por dois espaços de semelhantes dimensões, mas com pé-direito simples, com balcões de atendimento ao público implantados entre três pilares.

Do lado norte ficava a tesouraria e, no lado sul, a pagadoria. Pelo lado leste, junto ao vestíbulo, ficava a venda de selos. Pelo lado ocidental, em cada extremidade, ficavam os gabinetes dos tesoureiros (recebedor e pagador) sendo que havia, no primeiro, uma escada que conduzia ao térreo, diretamente à caixa-forte, que era fechada por paredes de um metro de espessura e circundada por corredores rigidamente vigiados. Entre os dois gabinetes havia uma escada funcional que levava aos demais pisos e aos sanitários. No térreo, além da caixa-forte, existiam salas reservadas aos arquivos da instituição, ao oficial da guarda e ao gabinete do encarregado do cartório e os sanitários. O segundo piso era integralmente ocupado pela administração. A escada funcional do lado oeste conduzia à cobertura plana com circulação entorno do telhado de vidro sobre o "hall" público que conduzia aos quatro torreões que, provavelmente serviam de depósito. 

Plasticamente, a concepção do prédio se enquadra nos preceitos histoicistas então em voga, com ênfase ao classicismo, percebido no emprego parcimonioso de um volume prismático onde as extremidades são salientes, de modo a subdividir cada fachada em três faixas onde a central tem menor altura e é composta num plano mais retraído. Os volumes mais salientes das extremidades são encimados por torreões coroados por cúpulas de bronze, sendo que o sudeste é mais elevado para compor com o torreão sudoeste do Prédio dos Correios e Telégrafos.

Todo o prédio foi composto dentro das regras clássicas. Horizontalmente apresenta uma "base" sólida sobre a qual se apóia um "fuste" mais trabalhado, que é encimado por um "coroamento" com Barbacãs, figuras aleatórias, torreões e brasões trabalhados. Cada elemento composicional é simétrico em si e com os demais elementos da composição, excluindo apenas a torre sudeste. Todos os planos de simetria passam por aberturas, com exceção do corpo central em suas fachadas para a praça e para a Rua Siqueira Campos (antiga Rua das Flores) onde esse plano passa por um elemento fechado. A fachada principal recebe valorização plástica através de sete robustas colunas jônicas.

Outro recurso utilizado, muito em voga na arquitetura clássica, é o uso de alegorias. A decoração ornamental do prédio do MARGS foi executada pelas oficinas de escultura de João Vicente Friederichs, com os ornamentistas Victorio Livi, Franz Radermacher e do escultor Alfred Adolff, responsável pelas figuras da fachada.

Possui caráter inovador no sentido tecnológico:

  1. O uso de iluminação zenital, solução provavelmente pioneira no Brasil e, com certeza, no âmbito regional;
  2. O emprego de estrutura de concreto armado, assumida pelo engenheiro Alfred Haessler, que precedeu em quase duas décadas as experiências de Baumgarten, no Rio de Janeiro;
  3. O emprego de uma grande cobertura plana, antecedendo, pelo menos, em uma década, aos postulados na forma como foram formulados por Le Corbusier.

O imponente prédio da Praça da Alfândega, de quase cinco mil metros quadrados, com seus vitrais, mármores e ornamentos, materializava, no início do século, o ideal de modernização e progresso da república positivista gaúcha - audácia da construção aliada ao conservacionismo da linguagem arquitetônica - "conservar melhorando".

Cronologia:

  • 1916 - inaugurado de forma precária para sediar a arrecadação dos impostos federais;
  • 1922 - conclusão das obras. Inauguração Oficial no Dia da Pátria, no ano do centenário da Independência do Brasil;
  • 1933 - obras de melhorias - instalação de um elevador;
  • 1974 - é cedido pelo governo federal ao estadual;
  • 1976 - o governo estadual manifesta a intenção de transformá-lo em Centro Cultural;
  • 1978 - em decorrência é instalado o MARGS em suas dependências;
  • 1981 - recuperação física do prédio e tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
  • 1983 - inscrição no Livro de Tombo Estadual;
  • 1984 - a Subsecretaria de Cultura do Estado o reconhece como de interesse público por seu valor histórico-arquitetônico;
  • 1985 - foi contemplado com o tombamento definitivo em nível estadual;
  • 1995 a 1998 - início de restauro e reforma geral para adaptá-lo aos fins específicos da museologia - instalações elétrica e hidráulica novas, sistema de climatização para a temperatura oscilar entre 21 e 24 graus em umidade constante, detectores de fumaça, controle de intensidade da luz e impermeabilização do terraço, além de restauração artesanal dos ladrilhos, azulejos e vitrais.

É um dos principais museus do país e o principal do Estado, reunindo obras de artistas nacionais e internacionais.

Referência:
WEIMER, Günter - Instrução para o Tombamento dos conjuntos Urbanos da Praça da Matriz e da Praça da Alfândega. Julho 2000. Prefeitura de Porto Alegre
http://www.margs.org.br/




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