PMPA / SMURB / Viva o Centro / Conheça o Centro / Bens Tombados / Prédio do Palácio Piratini

Palácio Piratini

Sede do Governo do Estado
End.: Rua Duque de Caxias, 1048
Tombado: IPHAE - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (incluso na área "Praça da Matriz e da Alfândega: sítio histórico")


A história do palácio governamental inicia praticamente com a fundação de Porto Alegre. Em 1772 o governador Manoel Jorge Gomes Sepúlveda incumbiu o Capitão Alexandre José Montanha de demarcar o local da nova capital da província. Segundo a tradição, o mesmo militar teria sido encarregado de construir o sobrado para abrigar a sede do executivo. O chamado “Palácio de Barro” foi uma das primeiras obras governamentais após a transferência da capital de Viamão para Porto Alegre.

Após a Guerra dos Farrapos, o presidente Soares d"Andréa encarregou o arquiteto Phillip von Normann de elaborar um novo projeto, já que a edificação encontrava-se degradada e obsoleta para as atuais funções. O prédio não chegou a ser executado, pois os alemães foram exonerados da função pública provincial. Pouco antes do golpe republicano, o arquiteto Álvaro Nunes Pereira é contratado para elaborar outro projeto, que também não foi executado devido à queda do Regime Imperial e à instabilidade política dos primeiros anos da República.

Júlio de Castilhos, em 1894, delega ao arquiteto Affonso Hebert, da Secretaria de Obras Públicas, mesmo autor do projeto da Biblioteca Pública, a execução de novo projeto, de acordo com suas concepções, alegando "necessidades de asseio e de higiene". Em 1896, Francisco Gastaldoni foi encarregado da demolição do palácio de taipa, sede do governo por 107 anos. O governo transferiu-se para o “Forte Apache”, prédio onde hoje está o Memorial do Ministério Público, também na Praça da Matriz. 


As obras iniciaram em 1896, com o lançamento da pedra fundamental, coincidindo com o fim da Revolução Federalista, tentativa vencida dos liberais de tomarem o poder dos republicanos. A vitória e o domínio político dos republicanos, por toda a República Velha, imprimiu sua marca através de grandes obras públicas, de acordo com a lógica positivista, não só com o intuito utilitário e desenvolvimentista, mas também para legitimarem líderes e propagarem idéias.

A terraplanagem movimentou grande quantidade de terra e houve necessidade de construção de muros de arrimo. Os alicerces, e parte da alvenaria, utilizaram pedras trazidas do Rio de Janeiro, pois o granito do estado era considerado muito duro e difícil de trabalhar. O projeto, caracterizado por uma planta quadrada desenvolvida em torno de um pátio central, apresentava uma separação precária entre a função residêncial e governamental, além de ser considerado modesto para as exigências da época. Em 1908 a obra é suspensa e uma equipe de técnicos do Estado é enviada a Paris para organizar um concurso internacional de projetos. O vencedor substituiria o de Hebert. Somente dois arquitetos inscreveram-se: A. Agustín Rey e A. Janin. Seus projetos foram premiados, porém não aproveitados.

Um ano depois, o arquiteto francês Maurice Gras é apresentado ao presidente Carlos Barbosa, por representantes diplomáticos da França no Brasil e desenvolve uma nova proposta.  O novo projeto necessitava um terreno maior. São adquiridos, então, vários imóveis na Rua Fernando Machado ( antiga Rua do Arvoredo) e imediações da Praça da Matriz. Após vários estudos e tratativas, o novo projeto é aceito. Sua proposta dividia o terreno em duas esplanadas, reunidas por escadarias. Os dois edifícios seriam separados por um pátio interno ("Cour d"Honneur"), limitado por duas galerias de comunicação entre eles, com previsão de acesso à carruagens no pátio central. Em 20 de setembro de 1909 foi lançada a segunda pedra fundamental do palácio e as obras reiniciam.

A areia utilizada era extraída das margens do Guaíba. Os alicerces foram executados com pedras graníticas de nossas pedreiras e as pedras oriundas da demolição da antiga fundação. O cimento era inglês, procedente de Avallon, na França. O ferro também era importado da Europa. De Taquari veio a pedra de grês branca que, no decorrer do trabalho, começou a apresentar colorações variadas e manchas. Para solucionar o problema, as paredes foram revestidas com estuque, produzido com um material chamado pedra artificial ou cimento-alabastro, fornecido pela empresa "Rousselet et Fils" de Paris e Buenos Aires e executado por mão de obra especializada, oriunda de Buenos Aires. Foram importadas de Villars, interior da França, as pedras calcárias para o embasamento das fachadas, gerando a insatisfação dos fornecedores locais.

O prédio, de influência neoclássica, foi inspirado, segundo alguns pesquisadores, no Petit Trainon, de Versailles, e apresenta fachada de sóbria regularidade geométrica, ritmada por pilastras e semicolunas colossais de ordem jônica. Cantoneiras rusticadas definem as terminações laterais. Para marcar a entrada principal e embelezar o pátio interno, entre as alas governamental e residencial, Gras encomendou ao artista francês Paul Landowski, o mesmo artista que criou o Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro, três esculturas: as que representam a Agricultura e a Indústria estão na fachada principal, colocadas sobre pedestais entre as três portas externas, conforme inclinação do Positivismo gaúcho em exaltar, através da estatuária fachadista, atividades econômicas que aludiam ao progresso; e grupo escultórico "A Primavera", instalado no centro do jardim. Ao pintor Antônio Parreiras foi encomendado um grande quadro da Proclamação da República do Rio Grande (episódio da Revolução Farroupilha) e um retrato do General Bento Gonçalves (herói da Revolução Farroupilha).

No interior, a seqüência espacial começa com o salão de entrada inferior, da altura menor e forma quadrada, com acesso em três lados (duas para veículos e uma para rua) e direcionado para a outra escadaria na outra face. No térreo, a escadaria que realiza a transição até o grande salão de recepções possui a forma de um "E", com cinco imponentes lances que vencem o pé-direito monumental de oito metros, inseridos em um volume de dupla altura, totalmente branco e com decoração em estilo coríntio. Como coroamento do percurso, este amplo espaço apresenta altas colunas e pilastras coríntias, com revestimentos de mármore verde e detalhes dourados, conduzindo aos salões menores nas duas extremidades.

Em 1913, Borges de Medeiros reassume a presidência sob forte reação contra os escandalosos gastos da obra e, imediatamente, rescinde o contrato com Maurice Gas e dispensa seus representantes, mantendo alguns contratos de serviço já firmados. O ritmo das obras diminui. São executados acabamentos com artistas e trabalhadores locais: Jesus Maria Corona (arquiteto espanhol que residia aqui), seu filho Fernando Corona, escultores da Oficina de João Vicente Friederichs, o arquiteto Moreira Maciel, entre outros.

Em 1914, com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, dificuldades de importação forçaram algumas adaptações com uso de materiais locais. Os bronzes para portas e janelas foram encomendados para a Escola de Engenharia; parte do mobiliário foi executada por detentos da Casa de Correção; as madeiras de louro e cedro para as portas foram extraídas de propriedades do governo na região do município de Cachoeira do Sul. Entre 1918 e 1919, com as obras praticamente interrompidas, os lustres, executados pela firma Francesa "Surmont et Couteil", são colocados no pavimento térreo.

Em 1921 é instalado o Gabinete da Presidência, ocupado por Borges de Medeiros e a Secretaria do Interior. A solenidade de inauguração restringiu-se a uma discreta visita da imprensa e as obras continuaram por muitos anos. Até a Segunda Guerra Mundial o Palácio, implantado no topo da colina, como os templos das acrópoles da Grécia clássica, era considerado a obra mais importante da cidade e podia ser visualizado de todos os pontos da cidade, especialmente do Guaíba, via fluvial muito utilizada na época.

Na década de 1950, Aldo Locatelli foi contratado pelo interventor Ernesto Dornelles para pintar murais com temas do folclore e história do Rio Grande do Sul. Em 1928, Getúlio Vargas, eleito sucessor de Borges de Medeiros,  é primeiro governante a morar no novo palácio, protagonizando importantes acontecimentos políticos, como as discussões e arranjos contra o governo Washington Luiz e posse de Júlio Prestes, que culminaram na Revolução de 30, marco de uma nova fase da História do Brasil.

Em 1955, por decreto do governador Ildo Meneghetti, o Palácio recebeu o nome de Piratini, em alusão à cidade que sediou a primeira Capital Farroupilha em 1836, homenageando um capítulo significativo e marcante da história riograndense.

Nesses 85 anos muitas adaptações foram necessárias para acompanhar as mudanças resultantes das transformações históricas, e muitas áreas tiveram suas finalidades alteradas por se tornarem obsoletas como, por exemplo, a Sala das Senhoras, atual Ante-Sala do Gabinete do Governador. As últimas construções significativas no Palácio Piratini ocorreram no início da década de 70, com o alargamento das escadas externas para os jardins e a construção do Galpão Crioulo.

Referências:
ZAMIN, Frinéia;WEIMER, Günter. Instrução para o Tombamento dos conjuntos Urbanos da Praça da Matriz e da Praça da Alfândega. Julho 2000. Prefeitura de Porto Alegre
http://www.portoimagem.com/
http://www.estado.rs.gov.br/palaciopiratini/
PROPAR/UFRGS.“Positivismo: Arquitetura de Porto Alegre no período positivista” do Memorial do Rio Grande do Sul, 2007




» contatos
Liane Klein
(51)3289.8275

Desenvolvimento PROCEMPA