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Igreja Nossa Senhora das Dores

End.: Rua dos Andradas, 597
Complemento: Rua Riachuelo, 630
Tombado: IPHN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Em 1752, portugueses vindos dos Açores estabeleceram-se à beira do Guaíba e formaram o primeiro núcleo da futura cidade de Porto Alegre, próximo de onde, mais tarde, construiriam a Igreja Nossa Senhora das Dores.

Membros da irmandade devota a Nossa Senhora das Dores rezavam missas na Igreja Matriz, atual Catedral Metropolitana, até 1807, quando resolveram construir o seu próprio templo, lançando a pedra fundamental em um terreno entre as ruas do Cotovelo e da Praia, às margens do Guaíba. No início, esmolas eram levantadas pela comunidade local para construir e decorar a igreja.

Em 1813, inaugurada a Capela-Mor, foi realizado o translado da imagem de Nossa Senhora das Dores; a partir de então, as energias e esmolas se voltaram para a construção do interior da igreja.

Em 1857, com a cidade entrando em um novo período de crescimento, foi retomada a construção da Igreja, com espaço para um hospital, que atenderia os membros necessitados da Ordem. Provavelmente por falta de verbas, esse espaço nunca foi utilizado.

Na década de 1860, foi colocado o madeiramento do telhado e a abóbada da nave sob a coordenação do entalhador português Mestre João Couto e Silva, também responsável pela decoração interna e as talhas dos altares,no ano de 1850. Em 1866, após a pintura do teto, realizada pelo artista Germano Traub, o corpo da igreja foi inaugurado.

Nos anos seguintes foi construída a escadaria para a Rua da Praia. Antes o acesso era feito pela Rua da Ponte, atual Riachuelo. As três esculturas da fachada representam a fé, a esperança e a caridade. A antiga edificação tinha, em seu projeto original, torres barrocas com cúpulas arredondadas, ao gosto português.

No início do século XX, Porto Alegre contava com arquitetos e engenheiros de origem germânica,  que trouxeram da Alemanha tendências ecléticas. Um novo projeto da igreja foi apresentado pelo arquiteto Julio Weise e aprovado pela Irmandade. A construção seguiu até 1903 quando foi, finalmente, inaugurada, apresentando corpo em estilo colonial português com fachada eclética: frontispício e altas torres, ornamentados com esculturas em gesso.
 
Em 1938, a pedido da comunidade, A Igreja Nossa Senhora das Dores foi tombada pelo IPHAN  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na categoria de Sítio Histórico Urbano.Segundo Luiz Fernando Rhoden, arquiteto do IPHAN, a igreja das Dores foi tombada mais por seu valor histórico do que arquitetônico. Apesar de ter como origem um projeto barroco, seus longos 96 anos de construção fizeram com que passasse por diferentes leituras. Se internamente percebem-se as influências barroca e neoclássica a fachada é eclética. "Tem umas colunas egípcias, uns frontões clássicos gregos e um outro partido, encimado com um balde de flores", analisa.

Na capela mor encontram-se a estátua de São João Nepomuceno e a imagem de São José que datam de 1818, doadas por devotos da Santíssima. Existe ainda a imagem de Nossa Senhora das Dores logo à entrada lateral, também do século XIX.

Lenda e História

Contam que um senhor de muitos escravos destinou um deles, Josino, para ajudar na obra da igreja. Certo dia desapareceram tijolos e outros materiais da construção. Josino foi acusado pelo seu senhor de ter sido o autor do roubo. Então, como a palavra dos senhores de terra tinha mais credibilidade do que a de um escravo, Josino foi condenado à forca. "No dia de sua execução, dizem que Josino, que se declarava inocente, rogou uma praga que iria provar sua inocência, dizendo que seu senhor não iria ver a conclusão das obras das torres da igreja, como um castigo do céu e à crueldade por que iam fazê-lo fazer passar", registra Maria Beatriz Cunha Ramos, especialista em História das Artes.

Fora as lendas, fatos objetivos contribuíram para o longo período da construção. A Ordem Terceira entrou em um período de decadência devido ao excesso de suas exigências para o ingresso de novos membros à Ordem. Sem membros, sem contribuições. Além disso, a irrupção da Revolução Farroupilha contribuiu ainda mais para piorar a situação. Depois, em meados do século XIX, foram destinadas verbas para a construção de um hospital para os irmãos pobres.


Novos ventos começaram a soprar a partir de 1898. O padre Fernando Gigante assumiu a paróquia e suspendeu os serviços religiosos. Rapidamente os membros se revoltaram e decidiram reativar a irmandade adormecida. Oitenta e quatro novos membros foram admitidos e as obras finais retomadas.

Em 1906 foi erguida a última torre e, no ano seguinte, concluída a longa escadaria. "Enquanto, no século passado, a conclusão do templo dependia dos esforços dos escravos, subjugados e explorados por seus senhores, não se chegou a um êxito feliz. Mas, uma vez abolida a escravidão no fim do século XIX, e todos unidos num trabalho espontâneo e livre, conseguiu-se acabar a obra. Parece ser esta a lição da lenda do escravo", regozija-se o padre C.J. Papen, em seu resumo histórico sobre a Igreja Nossa Senhora das Dores.

Restauração

Desde a conclusão das obras da Igreja, esta sofreu algumas intervenções em caráter emergencial: no telhado e forro, em 1980, na capela-mor, em 1996 e na escadaria, em 1998. Nesse percurso, a participação da comunidade e dos órgãos públicos foi fundamental para a restauração do templo.

A partir de 2001, a paróquia empenhou-se para a restauração do seu interior, a melhoria do estacionamento e a ampliação do salão de festas, através de financiamento via leis de incentivo estadual e federal. Contando com esses mecanismos, em 2002, foi realizada a troca da fiação e, em 2003, iniciada a restauração dos seus bens integrados (forro da nave, retábulos laterais, púlpitos, pinturas murais, coro, museu e acervo de arte sacra, Capela do Santíssimo e Capela do Cristo Morto) cujas obras devem se estender até 2007.

A restauração do exterior da Igreja terá início em 2007 e será financiada pelo Programa Monumenta, do Ministério da Cultura, com apoio do BID, Unesco e CEF, implantado em 26 cidades históricas tombadas pelo IPHAN, em várias regiões do país, por meio das administrações locais. As obras na Igreja incluem restauração do telhado, das torres e escadas, das esquadrias, e a pintura do exterior, além da reforma do salão paroquial, a construção de rampas de acesso e de sanitários.

A igreja possui um importante acervo histórico e artístico e será sede do primeiro museu de arte sacra de Porto Alegre. E o trabalho de restauração tem diversas frentes, como o da conservadora de têxteis Mara Susana Sulzbach, que recupera um acervo de mais de 500 peças, como os trajes usados pelos Vigários, os estandartes que eram usados em antigas Procissões da Igreja e diversas peças de linho que fazem parte da decoração do Altar para as missas. Este acervo todo está sendo inventariado, catalogado, cuidadosamente limpo, embalado e armazenado em uma sala, junto com o resto do material que será exposto no futuro Museu de Arte Sacra da Igreja das Dores. Cento e oitenta e oito peças já estão limpas e embaladas cuidadosamente para que sofram menos com a ação do tempo daqui para diante.

Referências:
http://www.portoalegre.rs.gov.br
http://pt.wikipedia.org/
http://portal.iphan.gov.br/
http://www.dana.com.br/
http://www.paroquiansdasdores.org.br
http://www.portobusca.com.br
 




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