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Cinemateca Capitólio

Antigo Cine Capitólio
End.: Avenida Borges de Medeiros, 108
Complemento: esquina Rua Demétrio Ribeiro, 1079
Tombado: SMC - Secretaria Municipal da Cultura

Inaugurado em 12 de outubro de 1928, o Cinema Capitólio era de propriedade do alfaiate José Luiz Faillace, tinha capacidade de 1.295 lugares, numa área de 1.300 m². Na década de 30, época em que os cinemas ocupavam um lugar de sociabilização na sociedade, foi o cinema mais importante de Porto Alegre.

Estabeleceu um convênio com os dois maiores produtores de filmes da época, o United Artists e a R. K. O. Radio. O filme “Voando para o Rio” marcou o início deste convênio. Além de filmes exibia peças de teatro, bailes de carnaval e até concursos de misses.

Foi construído e projetado pelo arquiteto Domingos Rocco em estilo eclético com ornamentos voltados para a arquitetura colonial açoriana, pesquisada pelo arquiteto. Sua fachada era de ciréx ocre, e interior em tons de bege e branco com degraus de granitina, conferindo ao prédio suntuosidade.

Na década de 60, o mercado do cinema entra em colapso, e os cinemas de calçada, como eram chamados, começam a fechar. Em 1969, o Capitólio é arrendado para o Grupo Serrador, de São Paulo, que muda o nome para Cinema Premier. No final da década de 70, o cinema volta a ser denominado Capitólio.

Ainda em crise, na década de 80, passa a exibir filmes pornográficos até o seu fechamento, em 30 de Julho de 1994. O Capitólio foi desativado ao lado dos antigos Cinemas São João e Marrocos. Era o fim dos cinemas de calçada. Em um artigo publicado na Zero Hora, Tuio Becker relembra os tempos de gloria dos cinemas de bairro:

“A decadência destas três salas de cinema que já estiveram entre as mais tradicionais de Porto Alegre cumpre um ciclo ditado pelo nome de consumismo voltado para as colméias que se tornaram os Shoppings”.

Sem ter como manter a casa, nem atrair investimentos, os arrendatários entregam o imóvel para a família que transfere a propriedade ao Município em total decadência: rebocos caídos, vazamentos, goteiras, ornamentos quebrados, entre outros estragos. Através da Lei 365/95 o prédio é transformado em patrimônio histórico municipal.

A discussão sobre a criação de um centro cultural unificado no Centro da cidade estava em pauta na Câmara Municipal já em 1991. Em 1995, o SESC, através de um convênio com a Prefeitura, assume a restauração do prédio, orçada em R$ 1 milhão, e se responsabiliza pela administração do local. Pelo convênio, a cessão do local ao SESC deveria durar 50 anos. O projeto SESC Capitólio (ou Instituto Policultural Cine Theatro Capitólio) é lançado oficialmente em 23/11/97, mas o projeto não vingou.

Em 2001 o edifício passou por uma reforma no telhado - substituição da cobertura e o prédio foi escorado, em uma área de 448 m², de forma emergencial.

Em 2004 é retomada a recuperação do Capitólio, numa parceria entre a Prefeitura de Porto Alegre, a Fundacine, e a Associação dos Amigos do Cinema Capitólio – AMICA - tendo como principais intervenções a entrada de energia, sub-estação, drenagem, demolições, estruturas de concreto e limpeza. Os recursos financeiros necessários são captados junto à iniciativa privada e aos poderes públicos estadual e federal, através dos benefícios fiscais promovidos pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e pelo PRONAC.

O projeto arquitetônico foi elaborado pelos arquitetos Marcelo Fernandez e Telmo Stensmann, com a supervisão da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal da Cultura e do Escritório de Projetos e Obras da Secretaria Municipal de Obras e Viação e procurou preservar as características do monumento. O tombamento do prédio pelo patrimônio cultural do Município define as diretrizes de intervenção. Os novos elementos procuram se apresentar como ação atual, evitando a tentação de mimetizar o antigo ou de competir com as estruturas preservadas.

A função-âncora do Capitólio será representada por uma instituição chamada Cinemateca Capitólio, catalisadora de agentes, acervos, tecnologias e políticas de preservação, recuperação, difusão, crítica e reconhecimento do patrimônio audiovisual gaúcho.

O desenvolvimento do audiovisual gaúcho tem ficado bastante evidente no volume inédito da produção de longas-metragens, que credencia o Estado como o mais importante pólo produtor de obras audiovisuais fora de Rio e São Paulo. Este projeto vincula-se aos programas em implementação de desenvolvimento da indústria audiovisual, e apresenta ao país uma instituição destinada à formação de públicos em vários níveis, viabilizando iniciativas para a valorização da crítica, a coleta de informações sobre os públicos e a preservação de acervos importantes.

O acervamento e a pesquisa sobre a produção audiovisual gaúcha são apenas o mote para uma instituição marcada pela fomação e trato direto com os públicos e pelo manuseio dos signos e imagens produzidas pela televisão e pelos cineastas locais. Estarão na Cinemateca a Escola de Pelotas e a de Porto Alegre, Teixeirinha e Ilha das Flores, a produção em Super-8 e os cinejornais, Vento Norte e os filmes de Antônio Carlos Textor, a vigorosa produção curta-metragista dos anos 80 e 90 e Anahy de las Misiones.

Exposições de cartazes e fotos ou da indumentária  gaúcha de Netto Perde Sua Alma poderão conviver com a programação da sala de cinema, das oficinas e da biblioteca. Clássicos do cinema disputarão espaço com o lançamento de novas produções. A opinião e o gosto do espectador serão objeto de pesquisa, assim como a história e a arte da televisão no Rio Grande do Sul e dos cineastas do Brasil.

A criação dessa instituição, em um prédio pleno de história e significados, se aliará a uma série de outros serviços próprios de um centro cultural de uso múltiplo. Contará com uma sala principal de exibição, com lotação de 188 lugares, cinco salas para exibição de recursos multimídia com espaço para pesquisa, café, lojas e salas de exposição.

Referências:
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/acessibilidade_smarty/default.php?projeto_sec=144&p_secao=3&pg=2535&p_reg=53421
http://www.artewebbrasil.com.br/espaco/capitolio.htm
http://www.capitolio.org.br




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