
Originada por uma parte do terreno doado à Santa Casa de Misericórdia pelo Desembargador Luís Corrêa Teixeira de Bragança e sua esposa, teve diversos nomes ao longo de sua história: Praça da Alegria, Alto da Caridade, Alto da Misericórdia e Praça da Misericórdia, até ser adotado o atual.
Em 1809 a então Praça da Alegria foi designada logradouro público, objetivando organizar a chegada das carretas que transportavam gêneros alimentícios, transferidas, após algum tempo, para a Praça do Paraíso (atual Praça 15 de Novembro). A construção das escadarias da Santa Casa em 1865, destruídas em 1940, e a terraplenagem do terreno em frente definiram seu formato, que se mantém inalterado até hoje.
A Praça da Alegria e a Praça da Matriz eram alvo de extração ilegal de barro e saibro até 1810, quando a Câmara estabelece pena de multa aos infratores. É possível que a área da praça pertencesse à Josefa de Azevedo, a “Brigadeira”, pois, em ata da Câmara de 1830, esta fez cessão “de todo o terreno que se achava cercado até a direção da rua da Praia, para praça pública fronteira ao edifício da Misericórdia”. Já o prolongamento da Rua da Praia no sentido da estrada dos Moinhos de Vento, que originou a Avenida Independência, só teve seu alinhamento fixado a partir de 1843, sendo que, em outubro de 1846, Rafaela Pinto Bandeira Freire, herdeira de Josefa, recebeu indenização pela desapropriação de terrenos fronteiros à via.
Em 1857 o nome da praça é alterado para Praça da Misericórdia, mas as primitivas condições de urbanização não são alteradas, fato confirmado, um ano depois, quando o provedor da Santa Casa solicitava providências à Câmara quanto ao despejo de detritos no local. Em 1873, recebe a denominação de Praça Dom Feliciano, em homenagem a Dom Feliciano José Rodrigues Prates, primeiro bispo do Rio Grande do Sul.
Na década de oitenta, um muro de arrimo é construído na face limítrofe da Santa Casa para amenizar a forte declividade, um nivelamento é executado, visando adequar o relevo ao novo ajardinamento e arborização e algumas árvores, plantadas a cerca de 35 anos, quando o primeiro jardim foi executado, são abatidas.
Ornada pelo busto do poeta Eduardo Guimarães, do médico e escritor Mário Totta, pela herma do Brigadeiro Jerônimo Coelho e pela Placa do Bicentenário de Dom Feliciano, a praça é cercada, atualmente, por terminais ônibus.
Referências:
Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1988
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