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Rua Voluntários da Pátria

Começa na Rua Marechal Floriano Peixoto, em frente à Praça Pereira Parobé (atual Terminal Pereira Parobé) e termina na Rua Júlio Castilhos de Azevedo, no Bairro Navegante.

A abertura de uma nova via de acesso à vila de Porto Alegre, fora do esquema viário primitivo começou em 1806, no Governador Paulo José da Silva Gama, que assim a descreveu ao rei: “Abriu uma estrada e caminho público que ao mesmo tempo em que servia a facilitar a comunicação da Vila para as quintas situadas na margem do rio, era um passeio cômodo e agradável para os moradores, pela sua situação, largura e sombra que lhe faziam as árvores plantadas de um outro lado”. Esse caminho marginal ao rio recebeu o nome de Caminho Novo. Seu sucessor, Dom Diogo de Souza, deu prosseguimento às obras, numa extensão de quase quatro quilômetros, até a Várzea do Gravataí, construindo uma casa de campo, com formoso portão, quase na extremidade do percurso.

Se não fosse pelo estaleiro que Joaquim José de Azevedo logo instalou junto ao rio, nas imediações da atual Praça Rui Barbosa, ninguém adivinharia o destino comercial e industrial que estava reservado ao novo caminho: ele continuaria sendo, por muito tempo, “uma bela alameda plantada da banda do rio de árvores frondosas” , como a descreveu o cronista Nicolau Dreys em 1839, sendo o lado oposto ao rio, “bordado de ricas chácaras, de jardins aparatosos, abundantes de flores e de frutos” (Notícia Descritiva, etc., Rio Grande, 1927, p.88).

O desenvolvimento urbano do Caminho Novo permaneceu estagnado durante vários anos, como o de toda Porto Alegre, devido à Revolução Farroupilha. Em razão do prolongado sítio imposto pelos rebeldes, entre 1836 e 1840, o valo que protegia a cidade, com baluartes artilhados, cortava o Caminho Novo na altura da atual Rua Pinto Bandeira, onde existia um portão, com ponte levadiça, que controlava o acesso à praça. Durante o cerco, os equipamentos públicos essenciais foram instalados dentro da área do entrincheiramento. Por essa razão, o matadouro de gado foi transferido para a então chamada Praça do Estaleiro (atual Praça Rui Barbosa - Centro Popular de Compras), onde aportavam as embarcações que traziam gado ou carne.

A Municipalidade de Porto Alegre travou uma luta histórica por conservar, como domínio público, para que toda a população pudesse usufruir, o lado da rua que dava fundos para o litoral. Já em 1825, diante de um requerimento de concessão de terras naquela margem, a Câmara resolveu que “em toda a extensão do dito Caminho (...) não havia lugares para se erigirem edifícios, por se achar o rio em dita extensão beirando a rua”, com canoas amarradas, pilhas de lenhas para consumo e madeiras de construção. Todavia, o município não resistiu à constante pressão dos particulares que pleiteavam para si o aforamento daqueles terrenos, considerados da Marinha, e por isso confiados ao domínio direto do Governo Imperial. A Câmara conseguiu apenas garantir a doação, para logradouro público, da área situada entre as embocaduras das atuais ruas Vigário José Inácio e Barros Cassal, formalizada em 1861 pelo Conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão, presidente da Província. Todo o restante da margem do rio, a contar da embocadura da Rua Barros Cassal, foi concedido pelo governo central, a partir de 1869, em aforamento perpétuo aos proprietários de outra face da rua, na proporção de suas respectivas testadas.

Em 1870, o Caminho Novo recebeu o batismo oficial de Rua dos Voluntários da Pátria. No mesmo ano, a Câmara providenciou o inicio do calçamento da primeira quadra, até a Rua do Rosário, pois as reclamações eram constantes contra “os grandes pantanais e atoleiros” formados durante o período das chuvas, em virtude da intensa utilização do caminho pelas carretas que se dirigiam ao Mercado.

A rua sofreu expressiva alterando com a implantação da ferrovia para São Leopoldo, ao longo de toda sua extensão, cuja estação foi edificada em 1874, sob protestos dos moradores e da Câmara Municipal, na esquina da Rua da Conceição.

A presença da ferrovia, e a utilização da margem do rio para o estabelecimento de trapiches, depósitos, estaleiros e oficinas, iriam traçar definitivamente o destino do Caminho Novo, transformando-o, de um passeio bucólico, numa suja rua de armazéns de atacado e indústrias. A prosperidade de suas empresas refletia-se, contudo, na solidez e ornatos dos sobrados neoclássicos.

A partir de 1881, começaram os esforços para retirar os carreteiros que freqüentavam a Praça Rui Barbosa (chamada de Praça das Carretas). Foi esse um processo lento, pois os comerciantes da rua eram contrários à retirada dos carreteiros. Parece que, só em 1894, quando a Intendência Municipal fixou o Campo da Redenção como paradeiro oficial das carretas, estas deixaram definitivamente a Voluntários da Pátria. A rua continuou sendo, todavia, por muitos anos, o paraíso das carroças puxadas a cavalo ou burro. Tais carroças, até serem substituídas totalmente pelos caminhões, na década de quarenta, povoavam toda a artéria, lotando o largo da Estação e as ruas adjacentes.

A construção do novo cais do porto, nas décadas de 50/60 que aterrou uma larga faixa de terrenos, isolou a Rua Voluntários da Pátria do Guaíba, acarretando uma certa degradação, que acabou por afastar as sedes de inúmeras empresas e de diversos clubes náuticos.

Referências:
Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1992


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