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Avenida Independência

Vai da Praça Dom Feliciano à Rua Mostardeiro.

O caminho nasceu espontaneamente como ligação entre a vila de Porto Alegre e a Aldeia dos Anjos de Gravataí, que tiveram fundação quase simultânea. Desde 1829 são encontradas referências à “estrada denominada dos Moinhos de Vento” que, partindo do Alto da Misericórdia, ou Alto da Santa Casa, dava acesso aos moinhos de vento de Antônio Martins Barbosa ou Barbosa Mineiro, prosseguindo tortuosa até os campos da Aldeia dos Anjos.
Esta saída da cidade era embaraçada pela propriedade de dona Josefa Eulália de Azevedo, a “Brigadeira” que em meados de 1826, possuía uma olaria e andara extraindo argila no caminho, prejudicando o livre trânsito.

A tendência de urbanizar a “estrada dos moinhos” é, provavelmente, anterior a Revolução Farroupilha, que impediu a expansão da cidade, fechada por entrincheiramentos defensivos.
A partir de 1843, o alinhamento da estrada começa a ser projetado. Entre 1845 e 1846, para efetivar a regularização da rua foi necessário indenizar os herdeiros da chácara da Brigadeira, “... à base de seis mil-réis o palmo de frentes, desde a esquina da Rua da Conceição (Rua da Brigadeira)”. Uma altíssima quantia foi paga pela Província “pela porção de terreno necessário para se continuar a Rua da Praia, assim como pelo que ficasse entre esta e os terrenos da Santa Casa, atual Praça Dom Feliciano”.

Em 1857, aquela artéria passou a denominar-se Rua da Independência iniciando na Praça da Misericórdia.

A água encanada foi instalada pouco depois da implantação dos serviços da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense. Desde então, a urbanização permaneceu precária por muito tempo. Em 1884, Felicíssimo de Azevedo, em suas crônicas denominadas “Cousas municipais”, deplorava a situação de abandono em que se achava a Rua Independência, embora fosse, na sua opinião, “o mais lindo arrabalde da cidade, não só pela sua posição elevada, de onde se goza a mais bela vista, como pela solidez do terreno, que o torna o mais salubre de Porto Alegre”. Em 1885, a rua ainda não possuía sarjetas e nem marcação dos cordões, mesmo no trecho inicial, entre as ruas da Conceição e Barros Cassal.

Sob o regime republicano o calçamento da Rua Independência é efetuado. Primeiro em 1893, na administração do Intendente Alfredo Azevedo e, em 1916, na administração do Intendente Montaury, com o emprego de pedras irregulares. Os paralelepípedos só seriam utilizados em 1925, como se deduz do relatório do intendente Otávio Rocha daquele ano: “Comecei a substituir todo o calçamento da Rua Independência, que pretendo seguir a paralelepípedos até ao Prado”.

A estatística predial de 1892 encontrou na Rua Independência um total de 96 casas, sendo 44 prédios térreos, 47 assobradados e cinco sobrados. O que explica e justifica a implantação da linha de bondes da Cia. Carris Urbanos, a contar de 1894, ano da inauguração do Prado Independência.

Em 1933, um decreto determinou a mudança do nome da Rua Independência para Avenida General Flores da Cunha, restabelecido em 1937, pelo Prefeito Loureiro da Silva.

No início do século XX, a Avenida Independência começou a se consolidar como um dos locais prediletos da burguesia para habitação. Os palacetes da Independência, construídos entre 1900 e 1930, expressam um momento histórico de prosperidade do comércio e da indústria porto-alegrense. Com o surgimento do Bairro Petrópolis e a urbanização de outros arrabaldes, a preferência burguesa pela avenida foi enfraquecida, ocasionando a degradação de muitos dos antigos palacetes que foram demolidos para a construção de edifícios de apartamentos ou transformados em pensões, casas de cômodos e prédios comerciais.

Referências:
Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1988


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