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Catedral Madre de Deus e Cúria Metropolitana



Endereço: Rua Duque de Caxias, 1047
Tombado: SMC - Secretaria Municipal da Cultura

O conjunto está implantado em um terreno de 8.519,05m², sendo a área construída da Catedral de 2.916,14m² e da Cúria de 4.489,65m².

Apesar das transformações da cidade, sua implantação destaca-se no cenário urbano. A monumentalidade destas edificações convive harmonicamente com os elementos naturais e construídos do entorno e sua implantação, em cota elevada, caracteriza o conjunto como um dos principais marcos paisagísticos do Centro Histórico de Porto Alegre.


Catedral Madre de Deus




Quando Porto Alegre era apenas o porto de Viamão, uma capela foi edificada junto à Rua da Praia, com o nome de São Francisco de Chagas, para atender as demandas dos colonos açorianos. Em 1772, com a criação da Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, uma nova igreja foi idealizada para ser a matriz.

Em 1774, um ano após a transferência da capital do estado de Viamão para o Porto dos Casais e a alteração do orago de São Francisco para Nossa Senhora Madre de Deus, a freguesia recebeu um projeto do Rio de Janeiro, de autoria desconhecida, em estilo barroco, com um corpo de três aberturas ladeado de dois campanários. As obras iniciaram no final de 1779 e foram concluídas em 1846.

Suas dimensões eram questionadas desde 1841, mas, só em 1915, um concurso para elaboração do projeto de uma igreja maior foi lançado. O vencedor foi o arquiteto Jesús Maria Corona, que elaborou um projeto neogótico com cinco naves e torres de 72 m de altura, com uma cripta em estilo manuelino. Os projetos de Theo Wiedersphan e Johan Ole Baade foram premiados.

Após inúmeras críticas, especialmente da Escola de Engenharia, o projeto foi abandonado. O Arcebispo remeteu, então, os projetos para Roma para uma revisão, executada pelo arquiteto da Cúria Romana, Giovanni Baptista Giovenalle, respeitado arquiteto, então professor da Academia de Belas Artes São Lucas de Roma, além de membro da Comissão de Arte Sacra da Basílica de São Pedro.

A pedra fundamental da nova Catedral, em estilo neo-renascentista seguindo, em escala menor, o modelo de São Pedro de Roma, foi lançada em agosto de 1921. Em 1929 os serviços religiosos foram transferidos para a nova cripta, possibilitando a demolição final da velha igreja barroca e a continuidade das obras. Vinte anos depois, as celebrações começaram a ocorrer na nave. As torres levaram outros vinte anos para serem finalizadas, sendo inauguradas em 1971, um ano antes da conclusão da cúpula. Somente em 1986, a catedral pôde ser concluída e consagrada.

 A Catedral Madre de Deus possui um subsolo, onde está instalado o Salão Nobre e salas de apoio, um térreo, composto por amplo átrio, batistério, nave central, naves laterais; sacristia e salas de apoio, e um coro. A estrutura e as fachadas da edificação foram totalmente executadas em granito rústico rosa, extraído no bairro Teresópolis e na Aberta dos Morros, em Porto Alegre.

A fachada principal possui três corpos salientes (frontispício e torres) com intervalos na altura dos terraços sobre as naves laterais, três acessos simétricos entre colunas de granito aparelhado e uma cúpula de 65 metros de altura do nível da praça e diâmetro interno de quase 18 metros, uma das maiores do mundo.

A cúpula, construída em 1955, é estruturada por duas cascas de concreto, composta por 12 nervuras e 24 aberturas circulares. É apoiada sobre um tambor de alvenaria de tijolo maciço com pilares e cinta em concreto armado, com 12 conjuntos de colunas com capitéis em granito, aparelhadas duas a duas e intercaladas por aberturas com esquadrias de inox e vidros translúcidos. É encimada por um lanternim de granito rosa polido com 12 venezianas de cobre que, por sua vez, é coroado por um pináculo com uma cruz em aço inox, que se repete nas torres sineiras.

Giovenale utilizou elementos decorativos arcaicos, semelhantes aos empregados nas antigas edificações dos incas do Peru, coroando o conjunto com oito gigantescas carrancas de feições indígenas nos cantos dos braços da cruz latina, na divisão do subsolo com o térreo. Vinte esculturas de granito, representando os patriarcas e os apóstolos, estão instaladas sobre a balaustrada da fachada principal e nos quadrantes das torres sineiras. Os portões de ferro têm relevos em bronze com motivos episcopais, no acesso ao Salão Nobre nos lados leste e oeste.

Os mosaicos do frontispício, foram executados pela Academia de Mosaicos do Vaticano, representando a história da Igreja no estado. Mostram a Padroeira Maria, a Mãe de Deus, ao centro, ladeada por São Francisco de Assis, o antigo orago, e os mártires jesuítas Roque Gonzales de Santa Cruz, Afonso Rodrigues e Juan del Castillo. Do outro lado estão São Pedro, Padroeiro do Rio Grande do Sul, o Papa Pio IX, criador da diocese, e Santa Teresa de Ávila, protetora da fortaleza que existia no extremo sul do estado. Painéis laterais representam as cenas da Anunciação e da Crucificação, tendo o Pantocrator acima, no tímpano.

O altar-mor, onde está a escultura da Madre de Deus, foi executado em mármore de Carrara, com pintura a óleo sobre tela de Aldo Locatelli. As quatro esculturas nas pilastras de sustentação da cúpula representam os evangelistas. Outro destaque do interior da edificação é a primeira escultura de São Francisco das Chagas entalhada em madeira, venerada pelos açorianos que, inclusive, emprestou o nome para a Freguesia de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais. As portas de acesso às naves são de madeira maciça com obra de entalhe representando São Pedro e o Papa João Paulo II ao centro, Dom Vicente Scherer na porta da direita e Dom Cláudio Colling na porta da esquerda.

Foram gravadas, com ácido fluorídrico, figuras que representam a Virgem e o Menino; Jesus, o Bom Pastor e os quatro bispos, doutores da Igreja (São João Crisóstomo, São Basílio, São Jerônimo e Santo Agostinho) na divisória de madeira de lei maciça e nas bandeiras, dois anjos na bandeira da porta central e símbolos religiosos nos vidros das portas de acesso à sacristia e salas de apoio, obra do artista espanhol Iglesias. O vitral de Nossa Senhora Madre de Deus do presbitério, lado sul, ao alto, executado em vidro colorido e afixado com perfis de chumbo é elemento integrante da edificação.

Os vitrais de fibra de vidro pintados foram sobrepostos às esquadrias originais de vidros lisos, incolores e translúcidos. Em 2006, através da Lei Rouanet, a cúpula foi reformada, recebendo uma cobertura de quatro toneladas de cobre, que substituiu a de mármore.
A pavimentação do passeio público foi executada em mosaico português com tesselas em cores branca, preta e vermelha, com desenhos geométricos e estilização da flor de Liz.

Cúria Metropolitana



O prédio da Cúria Metropolitana, construído para abrigar o antigo Seminário Episcopal, foi projetado pelo arquiteto francês Jules Villain. A obra iniciou em 1865, foi complementada, a partir de 1870, pelo arquiteto imigrante alemão Johann Grünewald, que introduziu arremates neogóticos no desenho original, e concluída em 1888. A composição modulada das fachadas, a simetria dos elementos, a presença da empena triangular da fachada sul, o acesso monumental com escadarias e colunatas, caracterizam o estilo neoclássico, em voga no século XIX.

A Cúria Metropolitana abriga o Arquivo Histórico da Mitra, com documentos históricos que precedem a constituição da Província do Rio Grande de São Pedro e da República.

O edifício principal possui três pavimentos: subsolo, térreo, onde se encontra o claustro, e segundo pavimento, que se interliga com a Casa Paroquial através de uma passagem térrea e uma passarela. É circundado por um muro com portal de acesso centralizado que, através uma escadaria, conduz ao acesso principal do térreo, sobre o qual está o brasão do bispo Laranjeira com uma inscrição em latim, comemorativa da inauguração. Outra escadaria emoldura este acesso conduzindo à varanda do piano nobile, protegida por um pórtico decorado com colunas toscanas em pedra grês avermelhada.



Um frontão clássico triangular, com um esplendor de raios talhados em pedra e a inscrição do monograma Mariano, coroa o edifício. Uma platibanda de pedra vazada arremata toda a construção com motivo de quadrifólios góticos, que se repete nas balaustradas dos pisos inferiores com pequena modificação, contrastando com o estilo neoclássico do projeto original.
A edificação foi construída em alvenaria de pedra e tijolo maciço, com argamassa de argila ou cal. As portas e as janelas, com seus tampões internos, são de madeira maciça. As janelas do térreo são guarnecidas por grades externas de ferro. O uso do arenito aparente e aparelhado nas balaustradas e peitoris das escadarias, nas colunas do acesso principal, nas colunatas do claustro, nas ombreiras e requadros dos vitrais do segundo pavimento do claustro, nos balcões e em parte das pavimentações internas estabelecem um caráter singular na arquitetura da cidade. O piso interno é composto por tabuado de madeira maciça, tacos de madeira de lei e revestimento cerâmico. Os revestimentos internos e externos compõem-se de argamassa de cal e areia.

São elementos artísticos integrados à edificação as obras em arenito, portões e gradis em ferro trabalhado, o monumento em granito encimado pelo busto de Dom Sebastião Laranjeiras, em mármore de Carrara e uma pintura de Aldo Locatelli retratando Dom Vicente Scherer.



Em Impressões Sentimentais da Cidade, Athos Damasceno deixou uma sensível descrição do conjunto do antigo Seminário, que aqui vai em parte reproduzida:

"Deste sim, talvez se possa dizer que é o único monumento da cidade. Vasto, com seu muralhão de fortaleza arrematado no alto pela cintura rendada dos balaústres, impressionaria só pelas proporções se, ao cabo da escadaria extensa, não se erguesse, imponente, o frontão clássico triangular sobre a ordem severa das colunas lisas. (...) No centro - a área quadrada dos claustros, com as arcadas simples sobre pilares maciços, os corredores longos batidos pelo sol, e o bom silêncio conventual que leva a gente às meditações".


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALÉM, Mons. Dr. João Maria. A capela de São Francisco do Porto dos Casais. Porto Alegre: 1946.
NEIS, Pe. Rubem. Porto Dos Casais: criação da freguesia; fundação de Porto Alegre. P. Alegre: 1972.
UNITAS. Revista Eclesiástica da Arquidiocese de Porto Alegre. Porto Alegre: jan-fev, 1924, ano XI, n.1-2.
CORONA, Fernando. Cem Anos de Formas Plásticas e seus Autores. In Enciclopédia Rio-grandese. Porto Alegre: Sulina, 1968.
FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: EDIUFRGS, 2006. 4ª ed.
http://pt.wikipedia.org/wiki/ 28/07/2009
WEIMER, Günter. Construtores Italianos no Rio Grande do Sul. In Dal Bó, Juventino; Iotti, Luiza Horn & Machado, Maria Beatiz Pinheiro (orgs). Imigração Italiana e Estudos Ítalo-BRasileiros: Anais do Simpósio Internacional sobre IMigração Italiana e IX Fórum de Estudos Ítalo-Brasileiros. Caxias do Sul: EDUCS, 1999.
VARGAS, Élvio (editor). Torres da Província: História e Iconografia das Igrejas de Porto Alegre. Porto Alegre: Pallotti, 2004.



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