Professor Ari Riboldi: Cliente, clientelismo, freguês...
Cliente - Do latim
cliens,
clientis, cliente (em oposição a protetor), vassalo, o que está sob a proteção de.
Na Roma Antiga, indivíduo que estava sob a proteção de um patrono ou patrício, pessoa rica e de bens; vassalo que trabalhava para um patrício em troca de sustento e de proteção. No sentido atual, pessoa que confia a defesa de seus interesses e direitos a um advogado, tabelião, procurador; aquele que consulta habitualmente com o mesmo médico, dentista, etc; aquele que usa os serviços ou consome os produtos de determinada empresa ou de profissional.
Clientelismo - Troca de favores entre eleitores e candidatos a cargos políticos; prática eleitoreira de determinados políticos que consiste no uso de seu poder e influência para privilegiar um conjunto de eleitores, mantendo-os sob dependência, em troca dos votos. Essa prática condenável e disseminada em todo o Brasil se vale da pobreza, da ignorância, da falta de alternativas. Guarda sentido com o significado original de cliente, acima referido: o que vivia sob a proteção de um patrono ou patrício. Enquanto não houver maior nível de educação para todos e se mantiver essa brutal desigualdade social, com a maioria da população em nível de pobreza e miséria, o clientelismo continuará a perpetuar no poder os mesmos caciques políticos. Prática também conhecida também como voto a cabresto e coronelismo.
Freguês - Do latim filiu ecclesiae, filho da igreja, no caso vocativo - correspondente ao Vocativo, na análise sintática -, forma pela qual os padres, originalmente, chamavam os seus fiéis; o que pertence à mesma paróquia.
Habitante de uma freguesia, paroquiano; indivíduo que tem o hábito de fazer comprar no mesmo estabelecimento ou usar os serviços desse estabelecimento; consumidor, comprador, aquele que compra ou vende habitualmente a determinada pessoa; cliente, comprador.
Freguesia - No sentido original, conjunto de pessoas de uma paróquia. Povoação, agrupamento; conjunto de consumidores habituais ou eventuais de um estabelecimento; nas províncias e cidades de Portugal, a menor divisão administrativa.
Cliente e freguês são sinônimos? - Os termos são empregados, muitas vezes, como sinônimos. No entanto, sob o ponto de vista etimológico e observada a qualidade do uso com propriedade na linguagem – no sentido exato e restrito -, não são sinônimos e não podem ser confundidos. Médico não tem fregueses; supermercado não tem clientes. Freguês é o que compra habitualmente em determinada loja, armazém, frequenta o mesmo restaurante, lancheria, etc. A palavra restringe-se ao comércio. Cliente é o que usa os serviços de dentista, engenheiro, arquiteto, médico, advogado, demais profissionais liberais. Para os que prezam a pureza da linguagem, fica a dica.
Amarrar o cavalo em outra freguesia - Essa expressão surgiu no tempo em que o cavalo era o único meio de transporte. Nada mais romântico do que ver o noivo visitando a sua amada num elegante ginete. Mas se o noivo caísse na desgraça da noiva, nadas mais lhe restava que montar em seu cavalo, partir para outra, procurar nova pretendente em outra freguesia.
Amarrar o cavalo em outra freguesia é desistir de um intento e buscar nova alternativa. Hoje pode ser a pé, de bicicleta, de carro, de ônibus, de trem, de avião, de navio. Nas regiões rurais mais remotas, ainda pode ser usado o cavalo, até mesmo um burro, uma mula, um jegue. Todos os meios são válidos, desde que não se desista e, de fato, a gente vá à busca de outra opção viável e satisfatória.
Freguês de caderno - Comprar, levar o produto e deixar para pagar depois. Prática comum em pequenos armazéns, bares, mercearias e similares. O freguês, morador das redondezas e conhecido do dono do estabelecimento, faz a compra diária e deixa para pagar tudo ao término da semana ou do mês, quando recebe o seu salário. Muitos comerciantes tinham um prego na parede a ali espetavam as contas ou os bilhetes com o registro das dívidas.
Atualmente, a prática mais comum é o registro dessas despesas num caderno, numa caderneta. Cada freguês tem a sua folha e deixa a rubrica ao lado de cada anotação, ato que lhe dá ciência do valor a ser quitado posteriormente. Com isso, hoje em dia há poucos pendurados no prego ou pendurados na parede, mas muitos estão no caderno ou caderneta. A relação nasce da mútua confiança. De vez em quando, alguém deixa a conta pendurada e desaparece da redondeza, fato que leva algum dono do negócio, mais precavido, a colocar um cartaz na parede com os seguintes dizeres: Fiado só para os maiores de 80 anos acompanhados de seus avós. Corre o risco de perder parte da freguesia, todavia jamais deixará de receber o valor do que vendeu.
Fale e escreva corretamente - Uso do pronome consigo
Consigo – Só pode ser empregado no sentido reflexivo, isto é, em relação ao sujeito da oração. Ela trazia consigo uma bolsa linda. O chefe costuma falar alto consigo mesmo. Jamais deve ser empregado para substituir a pessoa com quem se fala (com você, com a senhora, com o senhor). É erro grave: Quero falar consigo (em lugar de com você).
Ditado Popular
Pior a emenda que o soneto
Soneto é um poema clássico rimado, constituído de 14 versos (linhas) e de quatro estrofes – dois quartetos e dois tercetos, com tema específico. O terceto final deve sintetizar a mensagem, no chamado fecho de outro. É evidente que existem sonetos tuins no que diz respeito ao tema abordado e também à construção. Ao tentar emendá-los, consertá-los, muitas vezes, ficam piores do que já estavam. No sentido figurado, há erros que ficam mais graves quando há uma tentativa de justificá-los de maneira imprópria, totalmente improcedente. Nesse caso, querer justificar é cometer outro erro.
Relembre o bom humor da dupla Terence Hill e Bud Spencer

Nesta terça-feira, 12, a cultura italiana fica em evidência com mais uma edição do Sobremesa Italiana. A atividade acontece das 12h30 às 13h30, no auditório do Demhab (avenida Princesa Isabel, 1115), com entrada franca.
Em cartaz: Relembre a famosa dupla Terence Hill e Bud Spencer, que marcou época no cinema com os filmes da série Trinity. Com muito bom humor e ação, estes italianos levaram muita alegria com filmes como Deus Perdoa... Eu Não! (1967), Trinity é o Meu Nome (1970) e Dois Missionários do Barulho (1974). Logo após, conheça a trajetória de outra dupla, I Vianella, que fez sucesso na Itália cantando em dialeto Romanesco.
Para participar: O evento é aberto a todos os servidores interessados em prestigiar, não sendo necessário ser de origem italiana ou dominar o idioma. Basta apenas ter interesse em temas como música, pintura, escultura, cinema, teatro e literatura, assuntos que vêm se desenvolvendo ao longo dos últimos séculos, até os dias atuais, por grandes pensadores e artistas da Itália.
O evento - O Sobremesa Italiana já está em seu segundo ano de existência com o objetivo de difundir a cultura italiana de forma acessível para todos os públicos. A atividade é coordenada pelo arquiteto Fernando Biffignandi. Mais informações pelo telefone 3289-7231 ou pelo e-mail
biffignandi@demhab.prefpoa.com.br.