Em 1995 foi desencadeado um amplo processo de discussão com a sociedade sobre os principais aspectos a serem reavaliados, através de quatro grupos temáticos de trabalho: Planos Regionais, Gestão e Sistema de Planejamento, Estrutura Urbana e Subsídios para a Política Habitacional. Esta discussão culminou em dezembro de 1995, com o II Congresso da Cidade, que definiu os principais enfoques para o novo Plano Diretor. Na segunda etapa, em 1996, efetuou-se a compatibilização das conclusões dos grupos, orientada para uma proposta de projeto estratégico para o desenvolvimento sustentável da cidade. Finalmente, em 1997, foi desenvolvida uma discussão com a Câmara de Vereadores e com a sociedade civil sobre o Projeto de Lei já elaborado.
Desta forma, a proposta ora apresentada não se referencia apenas na visão do governo. Trata-se de uma síntese de conceitos e interesses que foram exaustivamente discutidos durante o período de formulação com todos os atores que atenderam ao chamamento para a análise deste tema. Ao todo, 170 entidades e mais de 2000 pessoas, inclusive em discussões nas Regiões do Orçamento Participativo, contribuíram para que fosse atingida uma idéia de consenso, a qual, no seu conjunto, procura integrar, da forma mais harmônica possível, as respostas aos diversos conflitos que se explicitaram. Portanto, o resultado final não representa apenas uma concepção de cidade. Mais do que isto, ele é o produto de um pacto social, o somatório de propostas anteriormente desarticuladas, o mínimo múltiplo comum de visões contraditórias. Por isto seu valor não está unicamente na qualidade do que apresenta como coerente. Está, também, e talvez aí resida o que há de novo, no peso político que assumem as suas "contradições" , uma vez que as mesmas são diretamente proporcionais às contradições do complexo processo urbano.
Pode-se dizer que todos os participantes se identificam com algo que foi contemplado no Plano, e ao mesmo tempo encontram pontos que não correspondem à sua visão específica. Isto significa que a dinâmica participativa desencadeada para este trabalho cumpriu seu objetivo no amadurecimento do processo democrático para a gestão da cidade, demonstrando a todos os que passaram por esta experiência que é possível se avançar numa direção comum, através da capacidade de fazer acordos entre os diferentes.
A interpretação técnica para este enorme conjunto de conflitos de toda ordem, desenvolveu também uma nova capacidade de entendimento e negociação entre aqueles que tiveram a responsabilidade de formatar a proposta, criando assim a base inicial para a mudança de mentalidade que será a essência das novas relações que se propõem no Sistema de Planejamento aberto, contínuo e participativo.