Navalha - Do latim “novacula”, navalha de barba, certo peixe, com a assimilação do ‘o’, como no espanhol “navaja” e no catalão “navalla”. Instrumento de corte, formado por lâmina dobrável, presa a um cabo que também serve de bainha para a lâmina; na indústria, faca, lâmina de corte, chapa de corte; molusco encontrado no litoral europeu, de concha estreita e longa (em torno de 15 centímetros), cujo formato lembra uma navalha fechada.; espécie de capim, como o navalha-de-macaco e navalha-miúda. No sentido figurado, língua viperina; frio excessivo. No meio popular, motorista ou qualquer profissional descuidado ou sem habilidade, o mesmo que ‘facão’ e ‘barbeiro’.
Precisar, preciso - Do latim “praecisus, a, um”, cortado pela extremidade, encurtado, suprimido, conciso, abreviado, resumido. Na raiz, o verbo latino “caedo, cecidi, caesum, caedere”, originalmente como termo rural: cortar, podar, derrubar (cortando). Palavras do mesmo radical: inciso, incisivo, preciso, rescisão, rescindir.
Pelo exposto, precisar tem origem rural – cortar, podar. Na Língua Portuguesa, precisar e preciso, quanto ao significado, caminham em cima do fio da navalha, ora com o sentido de algo exato – porque foi podado, encurtado, ajustado; ora como algo que faz falta, que se faz necessário - provavelmente porque foi retirado ou suprimido.
Que faz falta, indispensável, necessário; executado com absoluto rigor e perfeição; exato, certo, definido, justo; que atinge exatamente a meta ou o alvo; rigoroso; que expressa exatamente o pensamento, com fidelidade e clareza.
Quanto à regência verbal, o verbo precisar, com a acepção de necessitar, é transitivo indireto e se leiga ao complemento por meio da preposição ‘de’. O aluno precisa (verbo transitivo indireto) de concentração (objeto indireto).
Antônimos de ‘preciso’: dispensável, desnecessário, impreciso, indefinido, vago.
Navegar é preciso
Fernando Pessoa
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:"Navegar é preciso; viver não é preciso."(*)
Quero para mim o espirito desta frase, transformada
A forma para a casar com o que eu sou: Viver não
É necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em goza-la penso.
Só quero torna-la grande, ainda que para isso
Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso
Tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho
Na essência anímica do meu sangue o propósito
Impessoal de engrandecer a pátria econtribuir
Para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
A autoria da frase, no entanto, é atribuída ao general romano Pompeu. Leia o que registra o site Brasil Escola sobre a origem dessa afirmação e seu significado no contexto histórico:
“Ao falarmos que “navegar é preciso, viver não é preciso”, alguns logo citam a genialidade do escritor português, Fernando Pessoa. Indo um pouco mais adiante sobre o estudo dessa frase, aponta este que o poeta, ao mesmo tempo em que lançava uma sentença sobre a condição do homem, dialogava ricamente com a tradição histórica dos portugueses na exploração dos mares. Contudo, devemos saber que essa interpretação está longe de remontar as origens da afamada frase.
No século I a.C., os romanos viviam ativamente o seu processo de expansão econômica e territorial. Na medida em que Roma se transformava em um império de dimensões gigantescas, a necessidade de desbravar os mares se colocava como elemento fundamental para o fortalecimento de uma das mais importantes potências de toda a Antiguidade. Foi nesse contexto que o general Pompeu, por volta de 70 a.C., foi incumbido da missão de transportar o trigo das províncias para a cidade de Roma.
Naqueles tempos, os riscos de navegação eram grandes, em virtude das limitações tecnológicas e dos vários ataques piratas que aconteciam com relativa frequência. Sendo assim, os tripulantes daquela viagem viviam um grave dilema: salvar a cidade de Roma da grave crise de abastecimento causada por uma rebelião de escravos, ou fugir dos riscos da viagem mantendo-se confortáveis na cidade de Sicília. Foi então que, de acordo com o historiador Plutarco, o general Pompeu proferiu essa lendária frase.
De fato, a afirmação do general Pompeu surtiu bons frutos. A viagem foi realizada com sucesso e o militar ascendeu ao posto de cônsul com amplo apoio das camadas populares romanas. Pouco tempo depois, esse mesmo prestígio o fez ser um dos integrantes do Primeiro Triunvirato que governou todo o território romano. Afinal, será que foi a vitória da história de Pompeu que levou o lendário escritor português a tomar empréstimo dessa instigante sentença? Quem sabe!”
(*)Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola
Observação: Em latim, a frase é “Navigare necesse: vivere non est necesse
No fio da navalha - Encontrar-se em momento angustiante, em situação dificílima, sem controle, em que o pior pode acontecer. O mesmo que: estar por um triz, estar por um fio.
Por um triz - Por um fio, por um nada, por muito pouco, por uma fração de segundos, por pouco, por uma linha. A expressão teria nascido de uma antiga lenda grega do século V a.C. O monarca Dionísio, após grandes conquistas de terras, consolidou seu poder por toda a região da Itália grega. Senhor de muitas terras, acabou cercado por muita gente, dentre os quais alguns invejosos e interesseiros. Dâmocles era amigo do rei e usufruía de muitos privilégios no palácio, mesmo assim julgava que poderia merecer dele maior consideração a regalias. Para desfazer essa impressão, Dionísio preparou uma surpresa ao amigo: organizou um grande banquete e fez Dâmocles sentar na cadeira real, todavia com uma pesada lâmina sobre a sua cabeça, apenas presa com um tênue fio de crina de cavalo, que podia cair a qualquer instante e cortar o seu pescoço. Nessa circunstância, aprendeu que o poder é algo perigoso e delicado. Coincidentemente, em grego, “thriks, thrikós” significa cabelo, pelo.
Fale e escreva corretamente - Mix
Estrangeirismo, do inglês “mix”, mistura, mescla. Na origem, o verbo latino “miscere”, misturar, unir, mesclar, cruzar. Combinação, mistura. Um mix de produtos, um mix de músicas, um mix de estilos. A mixagem é a combinação de sons ou de imagens. O mixador ou míxer é o instrumento que combina ou produz uma combinação de qualquer natureza. Equivale a ‘liquidificador’.
Ditado popular
Melhor fazer barba com machado que tomar emprestada uma navalha
Quem pede favor ou vive de favor alheio, fica sempre em grande dívida. Em muitos casos, torna-se refém da vontade de seu credor e a ela fica submetido.
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