Caricatura, cartum e charge são palavras associadas a trágicos episódios deste início de ano. Trata-se de termos que a língua portuguesa assimilou do latim, do italiano, do inglês e do francês. Em comum entre eles a ideia de carga exagerada, de traços em realce. No caso dos desenhos de pessoas, de cenas, de fatos, há sempre a carga sobre um dos aspectos, o que os torna cômicos ou satíricos. As caricaturas de pessoas ‘carregam’ geralmente aspectos físicos que identificam o indivíduo: dentes, nariz, orelhas, olhos, pescoço, topete, ausência de cabelo, etc. Em comum também a possibilidade de se expressar, mais um meio de expressão, dentro dos princípios da liberdade de expressão e do direito de se manifestar. Há exageros? Creio que não. O que parece evidente é que a humanidade está cada vez mais intolerante. Muitas pessoas perderam o humor, a grande virtude do humor e da alegria.
Caricatura
Do italiano “caricatura”, ato ou efeito de carregar, a partir do verbo latino medieval “caricare”, derivado de “carrus”, retrato ou escrito que acentua até a deformação os traços característicos do modelo, com intenção cômica ou satírica; reprodução grotesca através do desenho ou da pintura.
Desenho de pessoa ou de fato que, pelas deformações obtidas por um traço cheio de exageros, se representa, como forma de expressão grotesca; reprodução deformada de alguma coisa; indivíduo de aparência ou de maneiras ridículas; representação em que se figuram pessoas e se apresentam caracteres e fatos de forma grotesca e cômica.
Termo adaptado a partir do inglês “cartoon”, inicialmente com o sentido de esboço desenhado em cartão, depois como desenho humorístico e satírico publicado em jornais e revistas. Também é forma reduzida de “animated cartoon”, desenho animado.
Desenho humorístico ou caricatural; espécie de anedota gráfica que satiriza comportamentos humanos, geralmente para publicação jornalística. O desenho pode ser acompanhado por legenda ou não. Empregado também como vinheta cômica de televisão, desenho animado, história em quadrinhos.
Charge
Do francês “charge”, carga; por extensão, o que exagera aspecto ou caráter de alguém ou de algo. Deriva do verbo francês “charger”, carregar.
Desenho humorístico, com ou sem legenda, geralmente veiculado pela imprensa, tendo como tema fato atual, normalmente do meio politico, que comporta crítica e focaliza uma ou mais personagens; caricatura, cartum. Para os puristas da língua, o vocábulo poderia ser substituído, na língua portuguesa, por palavras equivalentes, como imitação e caricatura.
Chargear
Da linguagem do futebol. Atacar, investir contra, pressionar, fazer carga sobre o corpo do adversário, para impedir que execute uma jogada. Também se origina do francês “charge”, carga.
Ridículo
Que merece escárnio ou zombaria; destituído de bom senso; cômico; que provoca riso por inadequação ao que é socialmente aceito; que denota mau gosto; espalhafatoso, vulgar.
Do latim “ridiculum”, risível, jocoso, absurdo, extravagante, a partir do verbo “ridere”, rir, gracejar, zombar. No sentido original, o que provoca riso.
PS: Uma das formas de ser ridículo (provocar o riso) é o emprego de forma convicta e errônea desse termo, ao falar e escrever “redículo”, com “e”, algo comum. O radical deriva do verbo latino “ridere”, portanto sempre com “i”.
Besta quadrada
O termo besta vem do latim “bestia”, animal quadrúpede usado para transportar cargas pesadas. Mais tarde, a palavra passou a ser usada como sinônimo de indivíduo ignorante, grosseiro, burro, pouco inteligente. A associação deve-se, justamente, ao fato de as bestas realizarem o trabalho pesado que os homens negavam-se a fazer. Chamar alguém de besta quadrada significa dizer que é um grande imbecil, duas vezes burro, besta na segunda potência.
Fale escreva corretamente – Deve haver razões, devem existir razões
Deve haver razões – O verbo haver é impessoal, ou seja, é uma oração sem sujeito; razões é objeto direto. Nesse caso, portanto, ‘deve haver’ no singular;
Devem existir razões – o verbo existir tem sujeito: razões. Nesse caso, ‘devem’ no plural. Sem o verbo dever, seguindo a mesma lógica, é: há razões; existem razões.
Ditado popular
Onde há muito riso, sempre há pouco siso
Siso, aqui, é a ausência de bom senso, de juízo, de capacidade de avaliação e de tino. Riso assume o sentido de falta de responsabilidade. Não se trata do riso alegre, espontâneo, natural, salutar. Este ditado, como acontece com tantos outros, exagera a realidade. Há que ser compreendido em circunstância específica e não como uma verdade absoluta, na qual há excesso de riso irresponsável e falta de bom senso.