Estagiário - O termo chegou ao português pelo francês "stagiaire", derivado de "stage", este último como período de treinamento em determinada atividade. A nascente é o latim vulgar "staticum", e o latim clássico "statio. stationis", tempo de morada, residência, domicílio, lugar, situação, derivados do verbo "stare", estar, estar de pé, estar numa postura. Os puristas da gramática recomendam que se empregue a palavra ‘praticante’ em vez do gálico ‘estagiário’, mas essa recomendação não vingou.
O estágio é o período de prática de tarefas específicas em que os estudantes se preparam para o exercício profissional. Como etapa de formação acadêmica, ele deve ser supervisionado e avaliado pelo professor da cadeira correspondente. O verbo 'estar' remete a uma instância transitória, passageira, não permanente.
Deduz-se que o estagiário deve cumprir apenas tarefas específicas que visam a uma experiência que o aproxime da futura profissão. Essas tarefas, obviamente, devem ser atinentes ao currículo do curso de sua formação escolar. Não pode ser usado como mão de obra barata ou para cumprir tarefas não relacionadas à sua formação escolar. Como aprendiz, deve ser orientado e supervisionado por profissional da mesma área de seu curso.
Estagiariocracia - Termo criado para, ironicamente, retratar especialmente setores da área pública em que atividades ficam a cargo exclusivo de estagiários. É evidente que eles não podem extrapolar a sua função auxiliar, temporária - “satare” - e de aprendizado. Seria o caso, por exemplo, da 'estagiariocracia’, em que o estagiário assume os poderes de seu superior: despacha, determina, julga. Na área do Poder Judiciário, sem demérito às demais, a situação seria mais grave, pois o estagiário poderia avocar para si os poderes de juiz. “Cracia” vem do grego "kratós", poder, autoridade, força. Estagiariocracia corresponde, em linguagem literal, ao governo, ao arbítrio, ao poder do estagiário. Vá que ele decrete a demissão do juiz e assuma o seu posto! Com um carimbo e uma caneta para assinar, estagiários podem ter acelerado processos, expedido vereditos, etc.
Estarei exagerando ou será a realidade de alguns locais? Nada contra o estágio e os estagiários. Pelo contrário, tempo precioso para a boa formação de futuros profissionais competentes. Eles cumprem papel importante no desempenho de tarefas na esfera pública e privada. Atualmente, estão amparados por legislação que lhes assegura mais direitos, como férias, transporte, entre outros.
Prática - Do grego “praktikê”, a ciência prática (em contraposição à ciência especulativa), e de “praksos”, ação, o fato de agir, pelo latim “practice”, prática.
Aprendizagem, costume, hábito, saber, tarimba, tirocínio, traquejo, treino. Antônimo de teoria, embaraço, trapalhice.
Ato ou efeito de praticar; ação, efeito, realização, execução, perícia, técnica, maneira usual de fazer, capacidade adquirida pela experiência.
Na prática - Na realidade, de acordo com o que acontece na vida.
Pôr em prática - Realizar, executar, colocar em prática uma teoria.
Ter prática - Ser experiente, perito; estar exercitado em alguma coisa.
Práxis - Substantivo feminino. Do grego “práksis”, ação, execução, o fato de agir, forma de conduzir um negócio, uma guerra, etc. Ação concreta, prática; ação humana e política em oposição à reflexão teórica; objetividade, aplicação prática; parte do conhecimento voltado para as relações sociais e as reflexões políticas, econômicas e morais.
Quem vai pôr o guizo no pescoço do gato?
Na hora da crise, no momento do perigo, em meio a situações dramáticas, surgem muitas ideias, soluções em abundância. As pessoas reúnem-se e discutem ardorosamente. Os mais inflamados sempre apresentam sugestões, medidas milagrosas, capazes de pôr fim a qualquer problema, independente de sua natureza. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Câmara Federal, Senado da República, reunião de ministros de Estado, assembleias da ONU, reuniões de condomínios, escolas, sindicatos patronais ou de empregados, convocações ordinárias ou extraordinárias de membros de grupos de qualquer natureza são campos férteis e fartos para a proliferação de ideias, de medidas próprias, as mais criativas, com a solução específica e infalível para qualquer problema.
E não faltam os rasgados elogios, os aplausos efusivos e demorados a quem teve brilhante ideia. Como não pensar nisso antes? Que mente brilhante! Que visão das coisas! Medida tão simples, tão óbvia, certeira, exata, ideal para o caso.
Em meio a tantas supostas soluções, surge uma questão muito simples: quem vai tomar as rédeas e aplicar, na prática, a medida milagrosa, aprovada por unanimidade, aplaudida por todos e registrada nas memórias, nos discursos, nos livros de atas e nos cartórios? A quem competirá a responsabilidade de levar a cabo o que foi decidido por todos? Falar é fácil; executar, levar a efeito, tornar real o que foi decidido é tarefa bem mais árdua. Em muitos casos, missão impossível, a não ser que surja um herói, alguém corajoso, capaz de colocar a vida em risco para salvar a dos demais. Os heróis andam escassos, para não dizer que praticamente desapareceram da face da terra. E as soluções milagrosas, capazes de salvar o mundo, ficam apenas no discurso, na palavra, na letra fria, longe da realidade e da concretude. É o que demonstra, inequívoca e exemplarmente, uma das fábulas de Jean de La Fontaine (1621 – 1695).
A assembleia dos ratos
Os ratos de uma velha mansão viviam em constante tormento. Sempre que o gato aparecia, terminava a paz e a tranquilidade deles. Corriam de cá para lá, apavorados e atônitos, buscando um esconderijo. Assim não poderia continuar. Estavam em constante perigo, pois o feroz e voraz gato poderia surgir de qualquer canto no mais absoluto silêncio.
Cansados com o tormento e o choro pela perda diária de muitos irmãos, os ratos resolveram convocar uma reunião, um assembleia extraordinária. Todos compareceram, sem exceção, dispostos a buscar uma solução para tão grave problema. O ideal seria ver o gato bem longe daquela casa, porém isso era impossível. O mais prático e viável seria, ao menos, perceber a presença dele a uma boa distância, quando se aproximasse. As discussões foram acaloradas. Um jovem rato, um dos mais eloquentes, tomou a palavra e falou em alto e bom tom:
- Companheiros, o nosso sofrimento chegou ao fim. Vamos colocar um guizo bem barulhento no pescoço do nosso terrível inimigo gato. Quando ele se aproximar, o guizo fará barulho e nós teremos tempo para fugir dele.
A ideia foi aprovada no mesmo instante. Enfim a paz e o sossego voltariam para as suas atribuladas vidas. Todos bateram palmas e vibraram euforicamente. Todos, menos um velho rato que permanecera o tempo todo imóvel e em silêncio.
Pediu, então, permissão para falar. Disse que o plano era inteligente e que as preocupações deles, com certeza, haviam chegado ao fim. Só levantava uma simples questão para os nobres companheiros:
- Quem de nós vai colocar o guizo no pescoço do terrível gato?
Todos se olharam e foi um tal de “eu não, nem eu”.
Assim terminou a grande assembleia dos ratos.
Moral: Falar é fácil; fazer é que são elas.
Falar é fácil; fazer é outra conversa.
Fale e escreva corretamente – Entreter e entretenimento
Entreter é verbo formado pela justaposição da preposição ‘entre’ mais o verbo ‘ter’. Por isso, conjuga-se como o verbo ter, derivado que é dele. A dona da casa costuma entreter as crianças com brincadeiras no pátio. A televisão é um entretenimento para todos. Também se admite o termo ‘entretimento’. Pela composição do termo, acima referida, são erradas formas como ‘enterter’, ‘entertenimento’.
Ditado popular
Mais vale a prática do que a gramática
A experiência vale mais do que a pura teoria. O ideal é sempre uma relação perfeita entre a teoria e a prática. Há, no entanto, pessoas com raras habilidades em determinadas atividades, sem possuírem conhecimento teórico e estudo sobre o tema. Isso é fruto de repetição, dedicação e talento.
SAÚDE